Vale da Visão
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"Responde-me quando clamo, ó Deus que me fazes justiça! Dá-me alívio da minha angústia; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração. Até quando vocês, ó poderosos, ultrajarão a minha honra? Até quando estarão amando ilusões e buscando mentiras?"

Davi está sentindo angustia, possivelmente ansiedade, antes de dormir, algo muito comum até nos dias de hoje. Estava angustiado por que pessoas más, com mais poder do que ele, estavam planejando o seu mal. Mas foi guiado a como reverter sua circunstância interior e passou as instruções do que fazer nessa situação.


"Saibam que o Senhor escolheu o piedoso; o Senhor ouvirá quando eu o invocar. Na vossa ira, não pequeis; consultai o coração no travesseiro e aquietai-vos. Oferecei sacrifícios de justiça e confiai no Senhor."

Ele passa a instrução de trazer a consciência que Deus ouve os justos e cuida deles. Ele manda que examinemos nossos corações, isso é, examinemos nossa consciência. A única preocupação digna de um cristão é se ele cometeu alguma ofensa contra Deus ou não, pois, se ele cometeu, Deus não o ouvirá e ele não terá quem o ajude, mas se ele está em paz com Deus, então certamente Ele cuidará de todo o resto. Caso haja algo mal no coração, ofereça sacrifícios de justiça, nos dias de hoje isso significa pedir perdão. Pois, estando limpos e com a consciência tranquila poderemos estar em paz com Deus e com a confiança de que Ele cuidará de tudo o que nos angustia.  


"Muitos perguntam: "Quem nos fará desfrutar o bem?" Faze, ó Senhor, resplandecer sobre nós a luz do teu rosto!"

O bem deixou de ser desfrutado quando o homem, por sua desobediência, perdeu a presença do seu Criador que é a fonte de todo o bem. Nessa mudança da condição humana a necessidade por um bem constante permaneceu em seu interior, mas ele confunde os meios pelo qual o bem se manifesta com a origem do bem e tenta o obter pelos meios, que em si mesmas são coisas inconstantes, passageiras, circunstanciais, que geram um bem breve e passageiro por serem reflexos, sombras, de um bem eterno (Jeremias 2:13; Eclesiastes 3:11; Oséias 2:8; Tiago 1:17; Romanos 1:25; Isaías 55:1-2; João 4:13-14). Mas, por meio do sacrifício de justiça, o homem justificado pode voltar a desfrutar o bem que seu inconsciente sente saudade, desfrutará desse bem de forma plena na eternidade que se inicia após sua morte, enquanto desfruta em parte nessa vida, conforme se aproxima do bem pleno que preenche seu coração (1 coríntios 13:9-10;12). Se invocarmos a Deus e ele se apresentar a nós, a luz do seu rosto revelará nossa escuridão, assim saberemos o que é o bem, e então o mal dentro de nós será manifesto. Desse modo nossa consciência é duramente pesada, saberemos por o que pedir perdão, pediremos e seremos reconciliados. Quanto mais longe estamos de Deus, mais corretos somos aos nossos olhos, pois dado a nossa cegueira de nós mesmos, temos nosso próprio entendimento como padrão de moralidade, nossas referências são os erros dos outros, que a nossos olhos, naturalmente incapazes de ver mal em nós mesmos (Provérbios 16:2), parecem piores do que os nossos e essa percepção eleva nosso conceito de nós mesmos, como bem ilustrado na parábola do fariseu e do publicano. Mas, quanto mais nos aproximamos do Criador, mais sua luz ilumina nossas trevas e revela nossas sujeiras mais profundas, que antes éramos incapazes de perceber. É um paradoxo de que quanto mais nos elevamos, mais baixos nos enxergamos, e quanto mais baixo estamos, mais elevados nos vemos. Quanto mais próximos da perfeição plena, mais perfeitos nos tornamos e mais imundos nos sentimos, pois quanto mais próximos, mais somos humilhados, e essa humilhação é que nos transforma em algo melhor (Salmo 51:17).


"Encheste o meu coração de alegria, alegria maior do que a daqueles que têm fartura de trigo e de vinho."

No início do salmo, Davi estava aflito, mas ao invocar o Senhor, se reconciliar com Ele e ver sua face revelada, em pouco tempo ele se sentiu cheio de alegria. De alegria maior do que a de quem o causou angustia, pois sua alegria não é construída sobre a areia, não é baseada em circunstâncias externas. 

A fartura de trigo e vinho é um símbolo do luxo e conforto. Nos dias de hoje seria algo como ter muito de tudo e não precisar mais trabalhar por nada, apenas usufruir de tudo sem restrições. Basicamente, aquela vida que as pessoas do Instagram aparentam ter. Mas o que enche o corpo, não enche o Espírito. Um mendigo próximo de Deus se sente mais preenchido do que um trilionário que não nunca sentiu Deus. Pois esse tem tudo de tudo o que não é capaz de satisfaz o interior, e de que adianta tudo isso?


"Em paz me deito e logo adormeço, pois só tu, Senhor, me fazes viver em segurança."

Após estar alegre no senhor, Davi finaliza o relato dizendo que em paz se deita. Por meio da revelação da luz do rosto de Deus, e a reconciliação com Ele, a angústia profunda de Davi foi transformada em alegria e em alguns minutos depois, a alegria deu lugar a plena paz em seu coração. Como disse o amigo de Jó: “Reconcilia-te, pois, com ele e tem paz, e assim te sobrevirá o bem.” Jó 22:21.

Resumindo de forma prática, é importante saber que temos etapas claras a seguir quando a aflição toma conta de nós, etapas que podem ser feitas diariamente, antes de dormir. Que são: invocar a presença do Senhor; examinar nossa consciência para ver se há algum mal; expor a Deus nossa transgressão; expor nossas aflições, desfrutar da sua presença e então ir dormir em paz sabendo que Deus ouve os justos e eu estou justificado. Deus, com certeza, ouviu quando o contei as minhas aflições e certamente cuidará de tudo. Não sou eu quem soluciono as circunstâncias, é o Senhor, e ele está cuidando de mim. 

"Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra. O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio." Salmo 46:10-11.


Faz, ó SENHOR, resplandecer sobre nós a luz do teu rosto!




O dinheiro é a ferramenta que o mundo usa para realizar trocas. Assim como todas as coisas, toda riqueza vem de Deus, seja de forma direta ou indireta. Segundo a justiça dEle, cada um recebe conforme a capacidade que possui para administrar (Mateus 25:14-30). De acordo com as Escrituras, tudo o que chega a nossas mãos pertence a Deus (Deuteronômio‬ ‭8:17‭-‬18‬), Ele nos concede administrar temporariamente e espera que façamos bom uso (Lucas 16:11). Cada centavo que chega até nós é como uma semente dada por Deus, ele espera que a plantemos em um bom terreno para que produza bons frutos (Mateus 25:14-30). O dinheiro é importante, pois é uma das ferramentas para cumprir os propósitos de Deus e o que a Bíblia nos ordena, pois somos ordenados a levar o evangelho a nações remotas e vestir e alimentar os pobres e a multiplicar nossos talentos (talento era o nome da moeda na época da parábola), além dos chamados de vocação individual. Tudo isso requer dinheiro.

Alguns usam da prerrogativa que o cristianismo prega a aceitação do sofrimento e proíbe a prática da cobiça como uma justificativa para sua conduta preguiçosa e indiferença. O cristão deve aceitar ter o que Deus o determinar ter, pobreza ou riqueza, mas isso não quer dizer que ele não esteja sob a obrigação de trabalhar de forma árdua e dedicada, buscando as melhores oportunidades para poder ajudar mais aos outros, seja com sua influência ou dinheiro. Também é obrigado a prestar contas de tudo o que foi posto em sua mão, o que inclui o tempo. Os adoradores do próprio prazer não acreditam haver nada demais em jogar no lixo o tempo com as coisas que lhes agradam, ao invés de agir de forma digna e se dedicarem ao trabalho.  E, ao final, acabam pobres, mas não culpam sua inércia, preguiça, idolatria ao próprio prazer e egoísmo como causadores da sua pobreza, mas sim enxergam-na como uma cruz que faz parte da vida do cristão (Provérbios 13:23). Esses, ao se apegar à prerrogativa do sofrimento do cristão, não enxergam a hipocrisia que há no que dizem, pois, nesse caso, são pobres apenas por apego ao próprio prazer, não por virtude de suportar as circunstâncias negativas. Pois, se tivessem realmente essa disposição contra a tentação do hedonismo, não sofreriam as consequências da prática dele, nem precisariam inverter os papéis para justificar sua circunstância. Nesse sentido, muitos também confundem e invertem o que é ser servo do dinheiro. Muitos julgam que quem trabalha muito é um escravo do dinheiro, pois pressupõem que o que faz alguém fazer ou deixar de fazer algo é o dinheiro, mas não temos como pressupor as motivações de ninguém, pois só Deus olha o coração.

A servidão do dinheiro é quando é ele que determina o que você faz ou deixa de fazer. É confiar que a solução vem dele. É ser incapaz de dominá-lo, sendo assim dominado, servo dele. Se todo o seu tempo de vida é gasto atrás do dinheiro, você é um escravo do dinheiro. A falta de sabedoria para administrar o dinheiro pode te tornar um servo dele, fazer com que ele administre a sua vida (o que faz dela, como gasta seu tempo, etc.). Fui muito tentada a me curvar a Mamom quando estava na fase de escolher o curso da faculdade. Muitos tentam te pressionar a escolher estudar aquilo que você não tem vocação nem propósito, apenas para receber o máximo de dinheiro que se pode, como se o tempo de vida gasto em correr atrás do dinheiro puramente para acumulá-lo não fosse um preço muito caro. Tentam pôr medo em ti, como se fosse por meio de um emprego ou do esforço próprio que se alcance a segurança e sustento necessário, o que é contrário às Escrituras. Na Bíblia, vemos claramente que nosso trabalho é o principal dos meios que Deus usa para nos trazer o sustento, mas o que traz não é o trabalho em si, mas a provisão de Deus através dele, e Deus promete nos sustentar naquilo que nos mandar fazer e não que nos preocupemos com o dinheiro e bens.

A forma correta de lidar com o dinheiro é a mesma de lidar com todas as outras áreas da vida, aplicando os ensinamentos bíblicos. O principal desses ensinamentos foi o que comentei aqui, de administrá-lo como um bom mordomo, sabendo que ele não é seu, mas um instrumento que Deus pôs em suas mãos. E também que ele é meramente um instrumento, um meio para coisas, não um fim em si mesmo; por isso não deve ser buscado, nem deve-se depositar confiança alguma nele, pois esses dois últimos nós devemos praticar apenas a Deus, do contrário seria idolatria e amor ao dinheiro. Há diversos outros ensinamentos bíblicos sobre a administração do dinheiro e bens, principalmente em Provérbios e Eclesiastes, mas seria necessário um post só para isso.


Os Desânimos do Ministro, palestra VI para ministros.

Assim como está registrado que Davi, no calor da batalha, ficou exausto, assim também pode ser escrito a respeito de todos os servos do Senhor. Crises de depressão atingem a maioria de nós. Por mais alegres que sejamos, de vez em quando nos sentimos abatidos. Os fortes nem sempre são vigorosos, os sábios nem sempre estão prontos, os bravos nem sempre são corajosos e os alegres nem sempre são felizes. Pode haver aqui e ali homens de ferro, a quem o desgaste não causa nenhum prejuízo perceptível, mas certamente a ferrugem os desgasta; e quanto aos homens comuns, o Senhor sabe, e os faz saber, que são apenas pó. Sabendo, por experiência dolorosa, o que significa profunda depressão de espírito, sendo visitado por ela em períodos não raros ou espaçados, pensei que seria consolador para alguns dos meus irmãos se eu expressasse meus pensamentos sobre isso, para que os homens mais jovens não imaginassem que algo estranho lhes tivesse acontecido quando se tornaram, por um tempo, possuídos pela melancolia; e para que os homens mais tristes soubessem que aquele sobre quem o sol brilhou alegremente nem sempre andou na luz.

Não é necessário, por meio de citações de biografias de ministros eminentes, provar que períodos de terrível prostração se abateram sobre a maioria, senão sobre todos. A vida de Lutero poderia bastar para dar mil exemplos, e ele não era de forma alguma dos mais fracos. Seu grande espírito estava frequentemente no sétimo céu da exultação e, com igual frequência, à beira do desespero. Seu próprio leito de morte não estava livre de tempestades, e ele soluçou até o último sono como uma criança grande e cansada. Em vez de multiplicar os casos, detenhamo-nos nas razões pelas quais essas coisas são permitidas; por que os filhos da luz às vezes caminham na escuridão espessa; por que os arautos da aurora se encontram às vezes em dez vezes mais noite.

Não é antes de tudo que são homens? Sendo homens, estão cercados de enfermidades e herdeiros de sofrimentos. Bem disse o sábio nos Apócrifos, Eclesiastes 4:1, 2, 3, 4, 5-8: "Grandes dores são criadas para todos os homens, e um jugo pesado sobre os filhos de Adão, desde o dia em que saem do ventre de sua mãe até o dia em que retornam à mãe de todas as coisas — a saber, seus pensamentos e o medo de seus corações, e sua imaginação das coisas pelas quais lamentam, e o dia da morte. Desde aquele que se assenta no trono glorioso, até aquele que se assenta abaixo, na terra e nas cinzas; desde aquele que está vestido de seda azul e usa uma coroa, até aquele que está vestido de linho puro — ira, inveja, angústia e inquietação, e medo da morte e rigor, e tais coisas vêm tanto ao homem quanto ao animal, mas sete vezes mais aos ímpios." A graça nos protege de muitas dessas coisas, mas, por não termos mais graça, ainda sofremos até mesmo com males evitáveis. Mesmo sob a economia da redenção, é muito claro que devemos suportar enfermidades; caso contrário, não haveria necessidade do Espírito prometido para nos ajudar nelas. É necessário que às vezes estejamos aflitos. Homens bons recebem a promessa de tribulação neste mundo, e ministros podem esperar uma parte maior do que outros, para que aprendam a simpatizar com o povo sofredor do Senhor e, assim, possam ser pastores adequados de um rebanho enfermo. Espíritos desencarnados poderiam ter sido enviados para proclamar a palavra, mas não poderiam ter compreendido os sentimentos daqueles que, estando neste corpo, gemem, estando sobrecarregados; anjos poderiam ter sido ordenados evangelistas, mas seus atributos celestiais os teriam desqualificado de ter compaixão pelos ignorantes; homens de mármore poderiam ter sido moldados, mas suas naturezas impassíveis teriam sido um sarcasmo sobre nossa fragilidade e uma zombaria de nossas necessidades. Homens, e homens sujeitos às paixões humanas, o Deus onisciente escolheu para serem seus vasos de graça; daí essas lágrimas, daí essas perplexidades e abatimentos.

Além disso, a maioria de nós é, de uma forma ou de outra, fisicamente insalubre. Aqui e ali, encontramos um velho que não se lembra de ter ficado afastado por um dia; mas a grande maioria de nós sofre de alguma forma de enfermidade, seja física ou mental. Certas doenças corporais, especialmente aquelas relacionadas aos órgãos digestivos, ao fígado e ao baço, são fontes frutíferas de desânimo; e, por mais que um homem se esforce contra sua influência, haverá horas e circunstâncias em que elas o vencerão por um tempo. Quanto às doenças mentais, existe algum homem completamente são? Não estamos todos um pouco desequilibrados? Algumas mentes parecem ter um tom sombrio essencial à sua própria individualidade; delas, pode-se dizer: "A melancolia as marcou como suas"; mentes refinadas, além disso, e regidas pelos princípios mais nobres, mas ainda assim mais propensas a esquecer o lado bom e a se lembrar apenas da escuridão. Tais homens podem cantar com o velho poeta:

"Nossos corações estão partidos, nossas harpas estão sem cordas,
Nossos únicos suspiros e gemidos musicais,
Nossas canções são ao som de lacrimas ,
Estamos todos muito preocupados."
THOMAS WASHBOURNE.

Essas enfermidades podem não prejudicar a carreira de utilidade especial de um homem; podem até ter sido impostas a ele pela sabedoria divina como qualificações necessárias para seu peculiar curso de serviço. Algumas plantas devem suas qualidades medicinais ao pântano em que crescem; outras, às sombras em que florescem. Há frutos preciosos produzidos pela lua, bem como pelo sol. Barcos precisam de lastro, assim como velas; um arrasto na roda da carruagem não é obstáculo quando a estrada desce. A dor provavelmente, em alguns casos, desenvolveu o gênio; caçando a alma que, de outra forma, poderia ter dormido como um leão em sua cova. Não fosse pela asa quebrada, alguns poderiam ter se perdido nas nuvens, alguns até mesmo daquelas pombas escolhidas que agora carregam o ramo de oliveira em suas bocas e mostram o caminho para a arca. Mas onde no corpo e na mente há causas predisponentes à depressão de espírito, não é de admirar que em momentos sombrios o coração sucumba a elas; O espantoso em muitos casos é — e se vidas interiores pudessem ser escritas, os homens o veriam assim — como alguns ministros continuam trabalhando e ainda exibem um sorriso no rosto. A graça ainda tem seus triunfos, e a paciência tem seus mártires; mártires que, no entanto, devem ser honrados porque as chamas ardem em seus espíritos e não em seus corpos, e seu ardor é invisível aos olhos humanos. Os ministérios de Jeremias são tão aceitáveis ​​quanto os de Isaías, e até mesmo o taciturno Jonas é um verdadeiro profeta do Senhor, como Nínive bem o sentiu. Não desprezeis os coxos, pois está escrito que eles capturam a presa; mas honrai aqueles que, estando cansados, ainda perseguem. A meiga Lia foi mais fecunda que a bela Raquel, e as dores de Ana foram mais divinas que as jactâncias de Penina. "Bem-aventurados os que choram", disse o Homem das Dores, e que ninguém os considere de outra forma quando suas lágrimas forem temperadas com graça. Temos o tesouro do evangelho em vasos de barro, e se houver uma falha aqui e ali no vaso, que ninguém se surpreenda.

Nosso trabalho, quando empreendido com seriedade, nos expõe a ataques que nos levam à depressão. Quem pode suportar o peso das almas sem, às vezes, afundar no pó? Anseios apaixonados pela conversão dos homens, se não plenamente satisfeitos (e quando o são?), consomem a alma com ansiedade e decepção. Ver os esperançosos se desviarem, os piedosos esfriarem, os professos abusarem de seus privilégios e os pecadores se tornarem mais ousados ​​no pecado — não bastam essas visões para nos esmagar por terra? O reino não vem como gostaríamos, o nome reverendo não é santificado como desejamos, e por isso devemos chorar. Como podemos deixar de estar tristes, enquanto os homens não creem em nossa pregação e o braço divino não se revela? Todo trabalho mental tende a cansar e a deprimir, pois muito estudo é um cansaço da carne; mas o nosso é mais do que trabalho mental — é trabalho do coração, o labor da nossa alma mais íntima. Quantas vezes, nas noites do Domingo, sentimos como se a vida tivesse sido completamente lavada de nós! Depois de derramarmos nossas almas sobre nossas congregações, sentimo-nos como jarros de barro vazios que uma criança poderia quebrar. Provavelmente, se fôssemos mais como Paulo e zelássemos pelas almas com mais nobreza, saberíamos mais sobre o que é ser consumido pelo zelo da casa do Senhor. É nosso dever e privilégio exaurir nossas vidas por Jesus. Não devemos ser espécimes vivos de homens em perfeita preservação, mas sacrifícios vivos, cujo destino é ser consumido; devemos gastar e ser gastos, não nos entregarmos a lavanda e nutrir nossa carne. Aflições como as de um ministro fiel trarão períodos ocasionais de exaustão, quando o coração e a carne falharão. As mãos de Moisés pesaram na intercessão, e Paulo clamou: "Quem é suficiente para estas coisas?" Acredita-se que até mesmo João Batista teve seus desmaios, e os apóstolos certa vez ficaram atônitos e com muito medo.

Nossa posição na igreja também conduzirá a isso. Um ministro plenamente equipado para sua obra geralmente será um espírito isolado, acima, além e à parte dos outros. O mais amoroso dentre seu povo não consegue penetrar em seus pensamentos, preocupações e tentações peculiares. Nas fileiras, os homens caminham ombro a ombro, com muitos camaradas, mas à medida que o oficial sobe de patente, homens de sua posição diminuem em número. Há muitos soldados, poucos capitães, menos coronéis, mas apenas um comandante-em-chefe. Assim, em nossas igrejas, o homem que o Senhor levanta como líder torna-se, no mesmo grau em que é um homem superior, um homem solitário. Os topos das montanhas permanecem solenemente separados e falam apenas com Deus enquanto Ele visita suas terríveis solidões. Homens de Deus que se elevam acima de seus semelhantes em comunhão mais próxima com as coisas celestiais, em seus momentos de fraqueza sentem a falta de simpatia humana. Como seu Senhor no Getsêmani, eles buscam em vão conforto nos discípulos que dormem ao seu redor; Eles ficam chocados com a apatia de seu pequeno grupo de irmãos e retornam à sua agonia secreta com o fardo mais pesado que os pressiona, porque encontraram seus companheiros mais queridos dormindo. Ninguém conhece, a não ser aquele que a suportou, a solidão de uma alma que superou seus companheiros em zelo pelo Senhor dos Exércitos: ela não ousa se revelar, para que os homens não a considerem louca; ela não pode se esconder, pois um fogo queima em seus ossos: somente diante do Senhor ela encontra descanso. O envio de nossos discípulos aos dois e dois por nosso Senhor manifestou que ele sabia o que havia nos homens; mas para um homem como Paulo, parece-me que nenhuma auxiliadora foi encontrada; Barnabé, Silas ou Lucas eram colinas baixas demais para manter uma conversa alta com um cume do Himalaia como o apóstolo dos gentios. Essa solidão, que, se não me engano, é sentida por muitos dos meus irmãos, é uma fonte fértil de depressão; e as reuniões fraternais de nossos ministros e o cultivo de relações santas com mentes afins, com a bênção de Deus, nos ajudarão grandemente a escapar da armadilha.

Não há dúvida de que hábitos sedentários tendem a criar desânimo em algumas constituições. Burton, em sua Anatomia da Melancolia, tem um capítulo dedicado a essa causa da tristeza; e, citando um dos inúmeros autores a quem ele atribui sua contribuição, ele diz: "Os estudantes são negligentes com seus corpos. Outros homens cuidam de suas ferramentas; um pintor lavará seus lápis; um ferreiro cuidará de seu martelo, bigorna, forja; um lavrador consertará seus arados e afiará seu machado se estiver cego; um falcoeiro ou caçador terá um cuidado especial com seus gaviões, cães de caça, cavalos, cães, etc.; um músico encordoará e descordoará seu alaúde; somente os estudiosos negligenciam aquele instrumento (seu cérebro e espírito, quero dizer) que usam diariamente. Bem disse Lucano: 'Cuidado para não torcer a corda com tanta força que ela se rompa.'" Ficar sentado por muito tempo em uma postura, debruçado sobre um livro ou escrevendo uma pena, é em si um desgaste da natureza; mas adicione a isso uma câmara mal ventilada, um corpo que está há muito tempo sem exercício muscular e um coração sobrecarregado com muitas preocupações, e temos todos os elementos para preparar um caldeirão fervente de desespero, especialmente nos meses escuros de neblina:

"Quando um cobertor envolve o dia,
Quando a floresta podre goteja,
E a folha é estampada em argila."
Por mais alegre que um homem seja naturalmente como um pássaro, dificilmente conseguirá suportar ano após ano tal processo suicida; fará de seu estudo uma prisão e de seus livros os guardas de uma cadeia, enquanto a natureza jaz do lado de fora de sua janela, chamando-o à saúde e acenando-lhe para a alegria. Aquele que esquece o zumbido das abelhas entre as urzes, o arrulhar dos pombos-torcazes na floresta, o canto dos pássaros na mata, o murmúrio dos riachos entre os juncos e o suspiro do vento entre os pinheiros, não precisa se surpreender se seu coração se esquecer de cantar e sua alma se tornar pesada. Um dia respirando ar fresco nas colinas, ou algumas horas de caminhada na calma sombria das florestas de faias, varreriam as teias de aranha do cérebro de dezenas de nossos labutantes ministros que agora estão apenas meio vivos. Uma lufada de ar marinho ou uma caminhada brusca contra o vento não dariam graça à alma, mas forneceriam oxigênio ao corpo, que é o segundo melhor.

"O coração está mais pesado no ar pesado,
Todo vento que sopra leva embora o desespero."
As samambaias e os coelhos, os riachos e as trutas, os abetos e os esquilos, as prímulas e as violetas, o terreiro, o feno recém-ceifa e o lúpulo perfumado — estes são o melhor remédio para os hipocondríacos, os tônicos mais seguros para os debilitados, os melhores refrescos para os cansados. Por falta de oportunidade ou de inclinação, esses grandes remédios são negligenciados, e o estudante se torna uma vítima autoimolada.

Os momentos mais favoráveis ​​a crises de depressão, até onde já experimentei, podem ser resumidos em um breve catálogo. Primeiro, devo mencionar a hora do grande sucesso. Quando finalmente um desejo há muito acalentado é realizado, quando Deus é grandemente glorificado por nossos meios e um grande triunfo é alcançado, então somos propensos a desmaiar. Pode-se imaginar que, em meio a favores especiais, nossa alma se elevaria a alturas de êxtase e se regozijaria com alegria indizível, mas geralmente ocorre o contrário. O Senhor raramente expõe Seus guerreiros aos perigos da exultação pela vitória; ele sabe que poucos deles podem suportar tal teste e, portanto, derrama seu cálice com amargura. Veja Elias depois que o fogo caiu do céu, depois que os sacerdotes de Baal foram massacrados e a chuva inundou a terra árida! Para ele, nada de notas musicais autocomplacentes, nada de pavonear-se como um conquistador em vestes de triunfo; Ele foge de Jezabel e, sentindo a repulsa de sua intensa excitação, reza para que possa morrer. Aquele que jamais verá a morte anseia pelo descanso da sepultura, assim como César, o monarca do mundo, em seus momentos de dor, chorou como uma menina doente. A pobre natureza humana não pode suportar tais tensões que os triunfos celestiais lhe trazem; deve haver uma reação. O excesso de alegria ou excitação deve ser pago por depressões subsequentes. Enquanto dura a provação, a força é igual à emergência; mas quando ela termina, a fraqueza natural reivindica o direito de se mostrar. Secretamente sustentado, Jacó pode lutar a noite toda, mas deve mancar pela manhã, quando a luta termina, para não se gabar além da medida. Paulo pode ser arrebatado ao terceiro céu e ouvir coisas indizíveis, mas um espinho na carne, um mensageiro de Satanás para esbofeteá-lo, deve ser a consequência inevitável. Os homens não podem suportar a felicidade pura; Mesmo os homens bons ainda não estão aptos a ter "as frontes cingidas de louro e murta" sem suportar a humilhação secreta para mantê-las em seu devido lugar. Arrebatados por um reavivamento, alçados ao alto pela popularidade, exaltados pelo sucesso em ganhar almas, seríamos como a palha que o vento espalha, se a graciosa disciplina da misericórdia não quebrasse os navios da nossa vã glória com um forte vento oriental e nos lançasse naufragados, nus e desamparados, sobre a Rocha Eterna.

Antes de qualquer grande conquista , um pouco da mesma depressão é muito comum. Ao contemplar as dificuldades diante de nós, nossos corações afundam. Os filhos de Anaque espreitam diante de nós, e somos como gafanhotos aos nossos próprios olhos em sua presença. As cidades de Canaã estão muradas até o céu, e quem somos nós para esperarmos capturá-las? Estamos prontos para largar nossas armas e fugir. Nínive é uma grande cidade, e fugiríamos para Társis antes de encontrar suas multidões barulhentas. Já procuramos um navio que possa nos levar silenciosamente para longe da cena terrível, e apenas o medo da tempestade restringe nossos passos recreativos. Tal foi minha experiência quando me tornei pastor em Londres. Meu sucesso me apavorou; e o pensamento da carreira que parecia abrir, longe de me exaltar, lançou-me ao mais profundo abismo, de onde proferi meu miserere e não encontrei espaço para uma gloria in excelsis. Quem era eu para continuar a liderar uma multidão tão grande? Eu me refugiaria na obscuridade da minha aldeia, ou emigraria para a América e encontraria um ninho solitário no sertão, onde pudesse ser suficiente para as coisas que me seriam exigidas. Foi justamente então que a cortina se ergueu sobre a obra da minha vida, e eu temia o que ela poderia revelar. Espero não ter sido infiel, mas estava medroso e tomado por um senso de minha própria inaptidão. Temia o trabalho que uma graciosa providência havia preparado para mim. Sentia-me uma mera criança e tremia ao ouvir a voz que dizia: "Levanta-te, debulha os montes e faze-os como palha". Essa depressão me invade sempre que o Senhor prepara uma bênção maior para o meu ministério; a nuvem é negra antes de se dissipar e ofusca antes de derramar seu dilúvio de misericórdia. A depressão tornou-se para mim como um profeta em trajes rústicos, um João Batista, anunciando a vinda mais próxima da bênção mais rica do meu Senhor. Assim a encontraram homens muito melhores. A limpeza do navio o preparou para o uso do Mestre. A imersão no sofrimento precedeu o batismo do Espírito Santo. O jejum desperta o apetite para o banquete. O Senhor se revela no fundo do deserto, enquanto Seu servo guarda as ovelhas e aguarda em temor solitário. O deserto é o caminho para Canaã. O vale baixo leva à montanha imponente. A derrota prepara a vitória. O corvo é enviado à frente da pomba. A hora mais escura da noite precede o amanhecer. Os marinheiros descem às profundezas, mas a próxima onda os faz subir ao céu; suas almas se derretem por causa da angústia antes que Ele os leve ao porto desejado.

No meio de um longo período de trabalho ininterrupto, a mesma aflição pode ser procurado. O arco não pode ser sempre dobrado sem medo de quebrar. O repouso é tão necessário para a mente quanto o sono para o corpo. Nossos sábados são nossos dias de labuta, e se não descansarmos em algum outro dia, iremos desmoronar. Até mesmo a terra deve permanecer em pousio e ter seus sábados, e nós também. Daí a sabedoria e a compaixão de nosso Senhor, quando disse aos Seus discípulos: "Vamos ao deserto descansar um pouco". O quê! Quando o povo está desfalecendo? Quando as multidões são como ovelhas nas montanhas sem pastor? Jesus fala de descanso? ​​Quando escribas e fariseus, como lobos ferozes, estão dilacerando o rebanho, Ele leva Seus seguidores em uma excursão a um lugar tranquilo de descanso? ​​Algum fanático fervoroso denuncia tal esquecimento atroz das demandas presentes e urgentes? Que ele delire em sua tolice. O Mestre sabe que não deve exaurir Seus servos e apagar a luz de Israel. Tempo de descanso não é tempo perdido. É economia para reunir novas forças. Observe o cortador de grama num dia de verão, com tanta coisa para cortar antes do pôr do sol. Ele interrompe seu trabalho – será que é preguiçoso? Procura sua pedra e começa a puxá-la para cima e para baixo em sua foice, com "rink-a-tink--rink-a-tink--rink-a-tink". É música ociosa? Será que ele está desperdiçando momentos preciosos? Quanto ele poderia ter ceifado enquanto dedilhava aquelas notas em sua foice! Mas ele está afiando sua ferramenta e fará muito mais quando, mais uma vez, dedicar sua força àqueles longos movimentos que estendem a grama prostrada em fileiras à sua frente. Mesmo assim, uma pequena pausa prepara a mente para um serviço maior à boa causa. Os pescadores devem consertar suas redes, e nós devemos, de vez em quando, consertar nosso desperdício mental e preparar nossas máquinas para o serviço futuro. Remar dia após dia, como um escravo de galé que não conhece feriados, não convém a homens mortais. Os riachos dos moinhos continuam para sempre, mas precisamos ter nossas pausas e intervalos. Quem pode evitar ficar sem fôlego quando a corrida continua sem interrupção? Até mesmo animais de carga devem ser soltos para pastar ocasionalmente; o próprio mar para na vazante e na enchente; a terra guarda o sábado dos meses de inverno; e o homem, mesmo quando exaltado como embaixador de Deus, deve descansar ou desfalecer; deve aparar sua lâmpada ou deixá-la queimar; deve recuperar seu vigor ou envelhecer prematuramente. É sábio tirar férias ocasionais. A longo prazo, faremos mais fazendo às vezes menos. Continuar, continuar, continuar para sempre, sem recreação, pode ser adequado para espíritos emancipados deste "barro pesado", mas enquanto estivermos neste tabernáculo, devemos de vez em quando dar um basta e servir ao Senhor com santa inação e ócio consagrado. Que nenhuma consciência sensível duvide da legitimidade de se desvencilhar por um tempo, mas aprenda com a experiência de outros a necessidade e o dever de descansar em tempo oportuno.

Um golpe devastador às vezes abate o ministro. O irmão em quem mais se confiava torna-se um traidor. Judas levanta o calcanhar contra o homem que confiava nele, e o coração do pregador desfalece momentaneamente. Somos todos muito propensos a olhar para um braço de carne, e dessa propensão surgem muitas das nossas tristezas. Igualmente avassalador é o golpe quando um membro honrado e amado cede à tentação e desonra o santo nome com o qual foi nomeado. Qualquer coisa é melhor do que isso. Isso faz o pregador ansiar por uma cabana em algum vasto deserto, onde possa esconder a cabeça para sempre e não ouvir mais as zombarias blasfemas dos ímpios. Dez anos de labuta não nos tiram tanta vida quanto a que perdemos em poucas horas por Aitofel, o traidor, ou Demas, o apóstata. Disputas, divisões, calúnias e censuras tolas também têm frequentemente prostrado homens santos e os feito ir "como se tivessem uma espada cravada nos ossos". Palavras duras ferem profundamente algumas mentes delicadas. Muitos dos melhores ministros, pela própria espiritualidade de seu caráter, são extremamente sensíveis — sensíveis demais para um mundo como este. "Um coice que mal moveria um cavalo mataria um teólogo sadio." Pela experiência, a alma se endurece aos golpes ásperos que são inevitáveis ​​em nossa guerra; mas, a princípio, essas coisas nos deixam completamente atordoados e nos mandam para casa envoltos no horror de uma grande escuridão. As provações de um verdadeiro ministro não são poucas, e as causadas por professos ingratos são mais difíceis de suportar do que os ataques mais grosseiros de inimigos declarados. Que ninguém que busque tranquilidade e a quietude da vida entre no ministério; se o fizer, fugirá dele com desgosto.

A poucos coube passar por um horror de grande escuridão como o que se abateu sobre mim após o deplorável acidente no Surrey Music Hall. Fui pressionado além da conta e fora dos limites por um enorme peso de miséria. O tumulto, o pânico, as mortes estavam dia e noite diante de mim, e tornavam a vida um fardo. Então, cantei em minha tristeza:

"O tumulto dos meus pensamentos
Isso apenas aumenta minha aflição,
Meu espírito desfalece, meu coração
É desolado e baixo."
Despertei daquele sonho de horror em um instante pela graciosa aplicação à minha alma do texto: "Deus Pai o exaltou". O fato de Jesus ainda ser grande, mesmo que Seus servos sofram o que sofrerem, me conduziu de volta à calma razão e à paz. Se uma calamidade tão terrível atingir algum de meus irmãos, que ambos tenham esperança paciente e aguardem em silêncio a salvação de Deus.

Quando os problemas se multiplicam e os desânimos se sucedem em longa sucessão, como os mensageiros de Jó, então, também, em meio à perturbação da alma ocasionada por más notícias, o desânimo rouba toda a paz do coração. A queda constante desgasta pedras, e as mentes mais corajosas sentem o peso das repetidas aflições. Se um armário escasso se torna uma provação mais severa pela doença de uma esposa ou pela perda de um filho, e se as observações mesquinhas dos ouvintes são seguidas pela oposição dos diáconos e pela frieza dos membros, então, como Jacó, somos propensos a clamar: "Todas estas coisas são contra mim". Quando Davi retornou a Ziclague e encontrou a cidade incendiada, bens roubados, esposas levadas e suas tropas prontas para apedrejá-lo, lemos: "Ele se animou em seu Deus"; e bem lhe foi possível fazê-lo, pois teria desmaiado se não tivesse acreditado que veria a bondade do Senhor na terra dos viventes. As angústias acumuladas aumentam o peso umas das outras; elas se beneficiam mutuamente e, como bandos de ladrões, destroem impiedosamente nosso conforto. Onda após onda é um trabalho árduo para o nadador mais forte. O ponto onde dois mares se encontram tensiona a quilha mais navegável. Se houvesse uma pausa regulada entre os golpes da adversidade, o espírito estaria preparado; mas quando eles chegam repentina e pesadamente, como o impacto de grandes pedras de granizo, o peregrino pode muito bem se surpreender. A última gota quebra as costas do camelo, e quando essa última gota cai sobre nós, que maravilha se por um momento estivermos prontos para entregar o espírito!

Este mal também virá sobre nós, não sabemos por quê , e então é ainda mais difícil afastá-lo. A depressão sem causa não é algo que se possa argumentar, nem a harpa de Davi pode afastá-la com doces discursos. Tanto vale lutar contra a névoa quanto contra essa desesperança informe, indefinível, porém avassaladora. Ninguém se dá por satisfeito nesse caso, porque parece tão irracional, e até pecaminoso, ser perturbado sem causa manifesta; e, no entanto, o homem está perturbado, mesmo nas profundezas de seu espírito. Se aqueles que riem de tal melancolia sentissem a dor dela por uma hora, seu riso se transformaria em compaixão. A resolução poderia, talvez, afastá-la, mas onde encontraremos a resolução quando o homem inteiro está descontrolado? O médico e o teólogo podem unir suas habilidades em tais casos, e ambos se encontrarão ocupados, e mais do que ocupados. O ferrolho de ferro que tão misteriosamente fecha a porta da esperança e mantém nossos espíritos em uma prisão sombria precisa de uma mão celestial para empurrá-lo de volta; e quando essa mão é vista, clamamos com o apóstolo: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus" (2Co 1.3, 4). É o Deus de toda consolação que pode:

"Com doce antídoto alheio
Limpa nossos pobres seios dessa substância perigosa
Que pesa no coração."
Simão afunda até que Jesus o toma pela mão. O demônio interior dilacera e dilacera a pobre criança até que a palavra de autoridade lhe ordena que saia. Quando somos tomados por medos horríveis e oprimidos por um íncubo intolerável, precisamos apenas que o Sol da Justiça nasça, e os males gerados por nossa escuridão são afastados; mas nada menos que isso afugentará o pesadelo da alma. Timothy Rogers, autor de um tratado sobre a melancolia, e Simon Browne, escritor de alguns hinos notavelmente doces, provaram em seus próprios casos quão inútil é a ajuda do homem se o Senhor retira a luz da alma.

Se alguém se perguntar por que o Vale da Sombra da Morte precisa ser atravessado com tanta frequência pelos servos do Rei Jesus, a resposta não está longe de ser encontrada. Tudo isso promove o modo de agir do Senhor, que se resume nestas palavras: "Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor". Instrumentos serão usados, mas sua fraqueza intrínseca será claramente manifestada; não haverá divisão da glória, nem diminuição da honra devida ao Grande Trabalhador. O homem será esvaziado de si mesmo e então cheio do Espírito Santo. Em sua própria apreensão, será como uma folha seca levada pela tempestade, e então será fortalecido como um muro de bronze contra os inimigos da verdade. Esconder o orgulho do trabalhador é a grande dificuldade. Sucesso ininterrupto e alegria inabalável nele seriam mais do que nossas cabeças fracas poderiam suportar. Nosso vinho deve ser misturado com água, para que não nos perturbe o cérebro. Meu testemunho é que aqueles que são honrados publicamente por seu Senhor geralmente têm que suportar um castigo secreto ou carregar uma cruz peculiar, para que não se exaltem de forma alguma e caiam na armadilha do diabo. Quão constantemente o Senhor chama Ezequiel de "Filho do Homem"! Em meio às suas elevações aos esplendores superlativos, justamente quando, com os olhos límpidos, ele se fortalece para contemplar a glória excelente, a palavra "Filho do Homem" chega aos seus ouvidos, acalmando o coração que de outra forma poderia ter sido inebriado com a honra que lhe foi conferida. Nossas depressões sussurram em nossos ouvidos mensagens tão humilhantes, mas salutares; elas nos dizem, de uma maneira que não podemos nos enganar, que somos apenas homens, frágeis, débeis, propensos a desmaiar.

Por todas as humilhações de Seus servos, Deus é glorificado, pois eles são levados a magnificá-Lo quando Ele os põe de pé, e mesmo prostrados no pó, sua fé Lhe rende louvor. Eles falam com ainda mais doçura de Sua fidelidade e estão mais firmemente estabelecidos em Seu amor. Homens maduros como alguns pregadores idosos dificilmente teriam sido produzidos se não tivessem sido esvaziados de vaso em vaso e levados a ver seu próprio vazio e a vaidade de todas as coisas ao seu redor. Glória a Deus pela fornalha, pelo martelo e pela lima. O céu será ainda mais pleno de bem-aventurança porque fomos preenchidos com angústia aqui na terra, e a terra será melhor cultivada por causa de nosso treinamento na escola da adversidade.

A lição da sabedoria é: não se desanime com os problemas da alma. Não os considere algo estranho, mas parte da experiência ministerial comum. Se o poder da depressão for mais do que comum, não pense que tudo acabou com sua utilidade. Não rejeite sua confiança, pois ela tem grande recompensa. Mesmo que o pé do inimigo esteja em seu pescoço, espere se levantar e derrubá-lo. Lance o fardo do presente, juntamente com o pecado do passado e o medo do futuro, sobre o Senhor, que não abandona Seus santos. Viva o dia – sim, a hora. Não confie em estruturas e sentimentos. Importe-se mais com um grão de fé do que com uma tonelada de entusiasmo. Confie somente em Deus e não se apoie nas necessidades de ajuda humana. Não se surpreenda quando os amigos falharem com você: é um mundo falho. Nunca conte com a imutabilidade do homem: você pode contar com a inconstância sem medo de decepção. Os discípulos de Jesus O abandonaram; Não se surpreenda se seus adeptos se desviarem para outros mestres: assim como eles não eram tudo para você quando estavam com você, nem tudo se foi com a partida deles. Sirva a Deus com todas as suas forças enquanto a vela estiver acesa, e então, quando ela se apagar por um tempo, você terá menos do que se arrepender. Contente-se em não ser nada, pois é isso que você é. Quando seu próprio vazio for dolorosamente imposto à sua consciência, repreenda-se por jamais ter sonhado em ser pleno, exceto no Senhor. Dê pouca importância às recompensas presentes; seja grato pelos compromissos ao longo do caminho, mas busque a alegria recompensadora no além. Continue com redobrada seriedade a servir ao seu Senhor quando nenhum resultado visível estiver diante de você. Qualquer simplório pode seguir o caminho estreito na luz: a rara sabedoria da fé nos permite marchar na escuridão com precisão infalível, já que ela coloca sua mão na de seu Grande Guia. Entre este e o céu pode haver tempo ainda mais ruim, mas tudo é provido por nossa Cabeça da aliança. Em nada nos desviemos do caminho que o chamado divino nos impeliu a seguir. Venha bem ou mal, o púlpito é nossa torre de vigia, e o ministério, nossa guerra; que seja nosso, quando não podemos ver a face de nosso Deus, confiar sob A SOMBRA DE SUAS ASAS.


Recentemente, aconteceu uma polêmica que me deixou muito triste. Uma moça evangélica foi alvo de chacota pública por conta de um crime contra sua intimidade, que ela sofreu aos 15 anos. Após o episódio, ela se converteu, mas hoje os moralistas religiosos usam do ocorrido para desmerecer e ridicularizar a sinceridade da fé da menina. Em seu vídeo de resposta a confusão, a moça conta que, na igreja, era alvo de comentários maldosos por conta de seu namoro. As pessoas a tratavam mal por ela ter relações com o namorado, mas ela não sabia que isso era errado. Isso reflete o que acredito ser a maior dificuldade dos novos convertidos: querer mudar, se dispor a mudar, não saber exatamente o que deve ser feito e ser alvo de chacota por isso. 

Julgar uma fé como não genuína pela incapacidade da pessoa de identificar imediatamente todas as próprias falhas é confundir justificação com santificação. É triste que a qualidade teológica do país seja tão baixa, a ponto de ser comum que pessoas não consigam distinguir algo tão básico. Ter a consciência de ser um pecador, o desejo de não pecar e disposição para parar é o sinal da justificação, que é imediata após a pessoa crer. Já a consciência total dos pecados é gradual e parte do processo de santificação, que depende muito da instrução clara das Escrituras. Paulo teve uma formação excelente e já possuía um conhecimento sólido da Escritura, ainda sim precisou passar 17 anos se capacitando antes de começar seu ministério. Jesus Cristo é o criador de todas as coisas, e seu ministério teve início aos 30 anos de idade. Mas os jovens cristãos são pressionados a já saberem previamente tudo o necessário para não errarem, mesmo sem serem bem instruídos.

Eu creio que a fase mais difícil, e que exige mais força, da jornada cristã é o início dela. Porque é onde você é criticado e desprezado por todos. Você está cada vez mais consciente dos teus erros e isso te revela sua distância de Deus e necessidade de redenção, então, é a fase mais reflexiva e solitária que uma pessoa poderia estar, sozinha, apenas consigo mesma e uma consciência parcialmente pesada, parcialmente anulada. Ninguém te ajuda, ninguém te compreende, todos te criticam e procuram humilhar, cada um por sua própria razão, pois para os que não são cristãos, você é esquisito, doido e motivo de piada. Para os que são cristãos, você é errado demais, pois é muito comum que jovens convertidos tenham muita dificuldade para saber o que é certo e errado, mesmo convertidos, eles continuam a praticar determinadas coisas, não por serem falsos ou maus cristãos, mas por serem míopes e precisarem de instrução. E é muito comum que as pessoas que deveriam cumprir o papel de instruir, ao invés de cumprir seu papel, desdenhem dessas pessoas, as envergonhe com comentários maldosos, como se a falta de instrução perfeita de um novo seja mais grave do que o deboche e a indiferença de um velho. 

A vida do jovem convertido é difícil, e se torna prazerosa a medida em que consciência de si mesmo, da sua condição e a oferta de reconciliação o levem a um relacionamento sincero com o Criador. E, a medida que se apega a Ele e passa pela transformação gradual, todo o resto vai, cada vez mais, perdendo a importância. As humilhações continuam, em maior grau conforme a purificação interior ocorre, mas junto dela vem o desprendimento de si mesmo e das coisas que antes tinham muito valor.

É difícil, uma porta bem estreita, e ao mesmo tempo, cada vez mais feliz e gratificante. Pois, no meio da tristeza pela sua incapacidade de não pecar, você é consolado pela graça; No meio do engano, a verdade se revela e você pode contempla-la com mais clareza por conta do contraste; A noção da nossa natureza falha nos torna muito gratos pelas promessas de restauração; a desaprovação pública nos leva a fazer de Deus nossa única fonte de aprovação. Deus nos refina a fim de nos purificar, doí e ao mesmo tempo é gratificante.

Todos nós que queremos viver piedosamente em Cristo sofremos perseguições, somos odiados de todos por causa do Seu nome. Muitas vezes ficamos aflitos, mas não somos derrotados. Algumas vezes ficamos em dúvida, mas nunca ficamos desesperados. Porém, se perseverarmos até o fim, seremos salvos.






 Carta de Jonathan Edwards para Deborah Hatheway:

Meu caro jovem amigo,

 Como você desejou que eu lhe enviasse, por escrito, algumas instruções sobre como se conduzir em sua vida cristã , gostaria agora de atender ao seu pedido. A doce lembrança das grandes coisas que vi ultimamente em sua igreja me inclina a fazer tudo o que estiver ao meu alcance para contribuir para a alegria espiritual e a prosperidade do povo de Deus ali.

1. Eu o aconselharia a manter um zelo tão grande na religião, como se soubesse que está em um estado natural e buscasse conversão. Aconselhamos as pessoas sob convicção a serem diligentes e fervorosas pelo reino dos céus; mas, quando alcançarem a conversão, não devem ser menos vigilantes, trabalhadoras e fervorosas em toda a obra da religião, mas sim mais; pois estão sob obrigações infinitamente maiores. Por falta disso, muitas pessoas, poucos meses após sua conversão, começaram a perder seu doce e vivo senso das coisas espirituais, a se tornarem frias e sombrias, e a se "traspassarem com muitas dores"; ao passo que, se tivessem agido como o apóstolo (Filipenses 3:12-14), seu caminho teria sido "como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito".

2. Não deixe de buscar, esforçar-se e orar pelas mesmas coisas pelas quais exortamos os não convertidos a se esforçarem, e um grau do qual você já obteve na conversão. Ore para que seus olhos sejam abertos, para que você receba a visão, para que você se conheça e seja levado ao escabelo de Deus; e para que você veja a glória de Deus e de Cristo, e seja ressuscitado dentre os mortos, e tenha o amor de Cristo derramado em seu coração. Aqueles que têm a maioria dessas coisas ainda precisam orar por eles; pois há tanta cegueira e dureza, orgulho e morte remanescentes, que eles ainda precisam que aquela obra de Deus seja operada neles, para iluminá-los e vivificá-los, que os trará das trevas para a maravilhosa luz de Deus, e será uma espécie de nova conversão e ressurreição dentre os mortos. Há pouquíssimos pedidos que são apropriados para um homem impenitente, que não sejam também, em certo sentido, apropriados para o piedoso.

3. Quando ouvir um sermão, ouça você mesmo. Embora o que é dito possa ser mais especificamente dirigido aos não convertidos, ou àqueles que, em outros aspectos, estão em circunstâncias diferentes das suas, ainda assim, deixe que a principal intenção da sua mente seja considerar: "Em que sentido isso se aplica a mim? E que melhoria devo fazer disso, para o bem da minha própria alma?"

4. Embora Deus tenha perdoado e esquecido seus pecados passados, não os esqueça você mesmo: lembre-se frequentemente de quão miserável escravo você era na terra do Egito. Lembre-se frequentemente de seus atos pecaminosos específicos antes da conversão; como o abençoado apóstolo Paulo menciona frequentemente seu antigo espírito blasfemo e perseguidor, e sua injúria aos renovados; humilhando seu coração e reconhecendo que ele era "o menor dos apóstolos" e não era digno de ser chamado apóstolo, o "menor de todos os santos" e o "principal dos pecadores"; e confesse frequentemente seus antigos pecados a Deus, e que este texto esteja frequentemente em sua mente (Ezequiel 16:63), "para que te lembres e te envergonhes, e nunca mais abras a tua boca, por causa da tua vergonha, quando eu te for perdoado por tudo quanto fizeste, diz o Senhor Deus".

5. Lembre-se de que você tem mais motivos, em alguns casos, mil vezes mais, para lamentar e se humilhar pelos pecados cometidos desde a conversão do que antes, devido às obrigações infinitamente maiores que você tem de viver para Deus e de contemplar a fidelidade de Cristo, em continuar imutavelmente sua bondade amorosa, apesar de toda a sua grande indignidade desde sua conversão.

6. Seja sempre grandemente humilhado por seu pecado restante, e nunca pense que você é baixo o suficiente para ele; mas ainda assim não desanime ou desanime por causa disso; pois, embora sejamos extremamente pecadores, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo; a preciosidade de cujo sangue, o mérito de cuja justiça e a grandeza de cujo amor e fidelidade, superam infinitamente as mais altas montanhas de nossos pecados.

7. Quando você se envolver no dever de oração, ou for à ceia do Senhor, ou participar de qualquer outro dever de adoração divina, venha a Cristo como Maria Madalena1 fez; (Lucas 7:37, 38) venha, e lance-se aos seus pés, e beije-os, e derrame sobre ele o doce e perfumado unguento do amor divino, de um coração puro e quebrantado, como ela derramou o precioso unguento de seu vaso de alabastro puro e quebrado.

8. Lembre-se de que o orgulho é a pior víbora que existe no coração, o maior perturbador da paz da alma e da doce comunhão com Cristo: foi o primeiro pecado cometido e está no nível mais baixo do fundamento de todo o edifício de Satanás, e é extirpado com a maior dificuldade, sendo a mais oculta, secreta e enganosa de todas as concupiscências, e muitas vezes se infiltra insensivelmente no meio da religião, às vezes até mesmo sob o disfarce da própria humildade.

9. Para que você possa fazer um julgamento correto sobre si mesmo, sempre considere como melhores descobertas e melhores confortos aqueles que têm mais destes dois efeitos: aqueles que fazem de você o menor e mais humilde, e mais parecido com uma criança; e aqueles que mais envolvem e fixam seu coração, em uma disposição plena e firme de negar a si mesmo por Deus, e de gastar e ser gasto por ele.

10. Se, em algum momento, você cair em dúvidas sobre o estado de sua alma, em estados de espírito sombrios e entorpecidos, é apropriado rever sua experiência passada; mas não consuma muito tempo e energia dessa maneira: em vez disso, dedique-se, com todas as suas forças, a uma busca constante por experiências renovadas, nova luz e novos atos vivos de fé e amor. Uma nova descoberta da glória da face de Cristo fará mais para dissipar as nuvens de escuridão em um minuto do que examinar experiências antigas, com as melhores notas que podem ser dadas, ao longo de um ano inteiro.

11. Quando o exercício da graça é baixo, e a corrupção prevalece, e por isso o medo prevalece; não deseje que o medo seja expulso de nenhuma outra forma, a não ser pelo reavivamento e predomínio do amor no coração: por isso, o medo será efetivamente expulso, assim como a escuridão desaparece em um quarto quando os raios agradáveis ​​do sol entram nele.

12. Quando você aconselhar e advertir os outros, faça-o com sinceridade, carinho e cuidado; e quando estiver falando com seus iguais, deixe que suas advertências sejam intercaladas com expressões do seu senso de indignidade e da graça soberana que o torna diferente.

13. Se vocês organizassem reuniões religiosas de moças, para serem frequentadas de vez em quando, além das outras reuniões que vocês frequentam, eu pensaria que seria muito apropriado e proveitoso.

14. Em dificuldades especiais, ou quando estiver em grande necessidade ou grande desejo de qualquer misericórdia específica, para si mesmo ou para outros, separe um dia para oração secreta e jejum sozinho; e deixe que o dia seja gasto, não apenas em petições pelas misericórdias que você deseja, mas em examinar seu coração, examinar sua vida passada e confessar seus pecados diante de Deus, não como é costume ser feito em oração pública, mas por meio de uma repetição muito particular diante de Deus dos pecados de sua vida passada, desde sua infância até agora, antes e depois da conversão, com as circunstâncias e agravações que os acompanham, e espalhando todas as abominações de seu coração muito particularmente e tão completamente quanto possível diante dele.

15. Não permitais que os adversários da cruz tenham ocasião de censurar a religião por vossa causa. Quão santamente devem comportar-se os filhos de Deus, os redimidos e amados do Filho de Deus! Portanto, "andai como filhos da luz e do dia" e "adornai a doutrina de Deus, vosso Salvador"; e, especialmente, abundai nas chamadas virtudes cristãs, que vos tornam semelhantes ao Cordeiro de Deus: sede mansos e humildes de coração, e cheios de puro, celestial e humilde amor por todos; abundai em atos de amor ao próximo e de abnegação pelos outros; e que haja em vós a disposição de considerar os outros superiores a vós mesmos.

16. Em todo o seu caminho, ande com Deus e siga a Cristo, como uma criança pequena, pobre e indefesa, segurando a mão de Cristo, mantendo o olhar nas marcas das feridas em suas mãos e lado, de onde veio o sangue que o purifica do pecado, e escondendo sua nudez sob a saia das vestes brancas e brilhantes de sua justiça.

17. Orem muito pelos ministros e pela igreja de Deus; especialmente, para que ele continue sua obra gloriosa que agora começou, até que o mundo esteja cheio de sua glória."

Em particular, eu gostaria de pedir um interesse especial em suas orações e nas orações de seus companheiros cristãos, tanto quando estiverem sozinhos quanto quando estiverem juntos, por seu amigo afetuoso, que se alegra por você e deseja ser seu servo.

Em Jesus Cristo,
Jonathan Edwards

Fonte



Recentemente me lembrei de um garoto nada religioso, que nem nunca teve interesse por religião, que se tornou católico pois viu tudo aquilo e achou fascinante. Esse garoto me viu discordando de um ponto teológico e pouco tempo depois aproveitou a primeira oportunidade possível para dizer, em minha presença, que protestante é... adivinhe só.... cringe. Para os protestantes que me leem, cringe é sinônimo de opróbio na linguagem ARC.

Observadores superficiais apenas dariam risada do garoto e deixariam a situação passar esquecida, mas como eu sou averiguadora, guardei na memória para refletir: Por que os não religiosos se sentem mais atraídos ao catolicismo romano e a ortodoxia oriental do que ao cristianismo?

Estudando a Escritura, cheguei a resposta dessa questão.

De acordo com 2 coríntios 4:3-4, 2 coríntios 4:4-9 e 1 coríntios 2:14-3:9, O evangelho parece loucura para os que estão padecendo. Eles não veem nenhum valor na Palavra, é como se fossem abstrações, pois a mente deles é cega. Tem olhos e não veem, tem ouvidos e não ouvem, a não ser que Deus os conceda graça e eles passem a enxergar a realidade do evangelho através da intervenção divina.

Uma pessoa em sua natureza carnal produz frutos correspondentes a sua natureza, frutos esses que incluem a idolatria (Gálatas 5:19-21). Todo ser humano adora algo, os que receberam nova natureza adoram ao Deus verdadeiro, os de natureza carnal adoram a deuses falsos, visíveis ou invisíveis. A idolatria pode se dar de diversas formas, é algo para um artigo extenso, o ponto aqui é que um pecador tem mais inclinação a ver valor nos catolicismos do que no cristianismo simplesmente porque no catolicismo é estimulada a idolatria e tudo o que vai em concordância com a natureza carnal é bem aceito e bem entendido por quem vive do pendor da carne (Romanos 8:5-7).

Por isso essas pessoas se impressionam facilmente com estátuas grandes com ouro e templos arquitetônicos. O amor ao próximo é reservado aos que são nascidos de novo, então ao olhar uma dessas catedrais é improvável que passe pela cabeça deles a compaixão pelos escravos que trabalharam arduamente e morreram para que aquele templo fosse construído a fim de agradar os carnais e desonrar a Deus.

Há os grupos do meio protestante que não chegam a ir para o catolicismo pois a consciência não permite, mas veem tanto valor nele que tentam tornar o cristianismo evangélico semelhante a ele, através do uso de imagens, filosofia e escolástica e entre outros. Outros enxergam valor na cultura de massa e tentam trazer elementos culturais mundanos para dentro, para tentar deixar a religião atraente, por meio de ritmos musicais, cores de parede, luzes coloridas, gírias e trejeitos que não convém a uma liturgia. Como se o cristianismo não fosse atraente por si e precisasse de empréstimos de outros meios para conseguir ser mais atrativo. A realidade é que o cristianismo verdadeiro nunca foi atraente a quem não foi chamado para ele, nem nunca será, pois não tem a pretensão de ser algo em conformidade com a mente carnal. 


 Hoje eu trouxe uma poesia, na realidade, uma música, composta por Anne Askew em seu martírio. 

Para contextualizar, Askew foi uma das mártires da reforma protestante. Ela recebeu uma bíblia clandestina, contrabandeada por seu cunhado, a leu e decidiu ensinar sobre ela para as mulheres que conhecia. Seu marido católico descobriu o que ela estava fazendo e a denunciou. Após a denuncia, Anne foi pega e levada a prisão de Newgate, onde foi torturada por muitos dias. O objetivo da tortura era fazer com que Anne revelasse os nomes das mulheres as quais ela havia ensinado a bíblia, mas Anne não revelou nenhum nome. Enquanto era torturada, Anne cantava uma música que compôs ali mesmo. Quanto mais a torturavam, mais intensamente ela cantava. A tortura estava sendo tão inútil que os torturadores resolveram levar Anne a ser queimada em praça pública, e assim foi o fim de sua vida terrena. Sua história pode ser encontrada em mais detalhes no Foxe, livro dos mártires.

A música composta por Anne em seu martírio:

Como um cavaleiro armado,
Designado ao campo de batalha,
Lutarei contra este mundo
E a Fé será minha armadura.

A Fé é arma forte,
Que nunca falha na necessidade.
Com ela, entre os inimigos,
Avançarei com firmeza e dignidade.

Pois é força e poder
Do caminho de Cristo, enfim;
Prevalecerá, 
Mesmo que os demônios digam que não, sim.

A fé dos pais antigos
Alcançou a retidão.
Ela me torna tão destemida,
Que não temo a aflição.

Agora meu coração se alegra
E a Esperança me diz pra continuar,
Pois Cristo tomará minha causa
E minha dor irá aliviar.

Tu disseste, Senhor: “Quem bater,
Será por ti atendido.”
Abre, pois, o cadeado,
E envia teu poder destemido.

Tenho mais inimigos agora
Que cabelos na cabeça, Senhor.
Não deixes que me corrompam,
Mas luta por mim, com teu amor.

A ti lanço meu cuidado,
Mesmo com toda a crueldade deles.
Não temo o que têm tramado,
Pois tu és minha verdade.

Não sou do tipo que, ao menor sinal,
A minha âncora deixo cair
Para cada névoa chuvosa
O meu navio é substancial

Raramente escrevo
Em prosa ou em rima,
Mas hoje quero mostrar
Algo que vi em minha vida.

Vi um trono real
Onde a Justiça deveria estar;
Mas em seu lugar havia um ser
De espírito cruel a governar.

A retidão foi tragada
Como por fúria de um mar.
Satanás, em sua jornada,
Fez o sangue inocente derramar.

Então pensei: Senhor Jesus,
Quando fores nos julgar,
É difícil imaginar
O que a esses homens irá se passar.

Mesmo assim, Senhor, te peço:
Por tudo o que me fizeram aqui,
Que não provem o preço
De sua própria iniquidade.




  1. Nunca negligencie a oração diária privada; e quando você orar, lembre-se de que Deus está presente e que ele ouve suas orações (Hb 11:6).

  2. Nunca negligencie a leitura diária e individual da Bíblia; e, ao ler, lembre-se de que Deus está falando com você e que você deve crer e agir de acordo com o que Ele diz. Acredito que toda apostasia começa com a negligência dessas duas regras (João 5:39).

  3. Nunca deixe um dia passar sem tentar fazer algo por Jesus. Todas as noites, reflita sobre o que Jesus fez por você e então pergunte a si mesmo: O que estou fazendo por ele? (Mateus 5:13-16).

  4. Se você tiver dúvidas sobre se algo é certo ou errado, vá para o seu quarto, ajoelhe-se e peça a bênção de Deus sobre aquilo (Cl 3:17). Se não conseguir fazer isso, é errado (Rm 14:23).

  5. Nunca aceite o seu cristianismo de cristãos, nem argumente que, porque tal ou tal pessoa faz isto ou aquilo, você também pode (2 Coríntios 10:12). Você deve se perguntar: Como Cristo agiria em meu lugar? E se esforçar para segui-lo (João 10:27).

  6. Nunca acredite no que você sente, se isso contradiz a Palavra de Deus. Pergunte a si mesmo: O que eu sinto pode ser verdade, se a Palavra de Deus for verdadeira? E se ambos não podem ser verdade, creia em Deus e faça do seu próprio coração o mentiroso. (Rm 3:4; 1 João 5:10, 11).
Fonte




 Esse guia é do site “the average churchman”. Apenas o traduzi e resumi as etapas para facilitar o entendimento e tornar mais prático.


1° Etapa: Leia-o muitas vezes

  • Passe uma ou duas semanas apenas lendo o livro muitas vezes. 
  • Não passe para a próxima etapa sem ter lido um livro curto por 10 vezes e um longo por de 2 a 5.


2° Etapa: Anote as repetições

  • Anote as palavras ou ideias recorrentes. Os temas principais costumam ser repetidos diversas vezes, por isso é importante anotar as palavras ou ideias recorrentes.
  • Só passe para próxima etapa após conseguir responder a pergunta: "Qual os pontos principais que o autor está tentando passar?"

3° Etapa: Faça o esboço do livro

Se o livro for curto, vale fazer o esboço do livro inteiro; Se for longo, vale fazer o esboço dos capítulos ou versículos chave


Como fazer o esboço:


  • Analise o texto e organize as partes como títulos, assim: 


1. Ponto principal 1

1. Subponto 1a

2. Subponto 1b

2. Ponto principal 2

3. Subponto 2a

 4. Subponto 2b


Deixe a estrutura do texto determinar a estrutura do esboço. 


  • Descubra o que você não compreendeu bem. 

Para descobrir o que você não compreendeu, tente explicar a passagem como se estivesse explicando para uma criança. Aquilo que você não conseguir explicar algo de forma simples, significa que você não entendeu. Essa é a técnica feynman.


  • Adicione perguntas ao esboço. Escreva tudo o que não compreendeu abaixo do título correspondente ao ponto, assim: 

1. Ponto principal 1

    1. Subponto 1a

      1. Pergunta 1 sobre o Subponto 1a

      2. Pergunta 2 sobre o Subponto 1a

  2. Subponto 1b

        1. Pergunta 1 sobre o Subponto 1b

2. Ponto principal 2

    1. Pergunta 1 sobre o ponto principal 2

    2. Subponto 2a

  3. Subponto 2b

      1. Pergunta 1 sobre o Subponto 2b


É bom diferenciar o ponto de pergunta usando cores diferentes para representar cada um. 

O que não foi compreendido podem ser dúvidas, termos que precisam de definição, metáforas que precisam ser analisadas e etc…


4° Etapa: Estude para encontrar as respostas das suas perguntas

Evite comentários e respostas prontas até ter se esforçado para achar as respostas por conta própria. "Comentários nunca devem substituir a análise pessoal de um texto. Veja os comentários como uma forma de verificar seu estudo pessoal ou como uma conversa que você está tendo com um irmão "morto" sobre uma passagem. Mas nunca comece com eles."

  • Defina as palavras chaves usando ferramentas como o blue letter bible;
  • Procure as respostas em outras partes do livro (geralmente o próprio livro responde as questões em outro momento) ou da bíblia (referências cruzadas podem ajudar).
  • Use as ferramentas de estudo bíblico encontradas aqui.


5° Etapa: Continue trabalhando nas perguntas e respostas até estar satisfeito com o estudo.

6° Etapa:  Retire as verdades fundamentais ensinadas no livro e medite em aplicações práticas para elas.


Aqui você deve ser capaz de responder a pergunta:

  • "o que esse livro ensina"?

Se não conseguir responder, deve estudar mais, até que consiga.


Após, se pergunte:

  • "Se x é verdade, como x impacta a minha vida e minhas ações?"


Pode-se usar algumas perguntas de aplicações como as dos puritanos, que eram: 

  • Que verdades seguintes esta (ideia) implica?
  • Que erros ele contradiz?
  • Que boas obras são necessárias?
  • O que você deve parar de fazer porque essa (ideia) proíbe?
  • Que incentivo essa (ideia) oferece?
  • Onde você se posiciona espiritualmente diante dessa (ideia)?



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