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 Agora, eu sei que há alguns que dizem: "Bem, espero ter me entregado ao Senhor, mas não pretendo me entregar a nenhuma igreja, porque..." Ora, por que não? "Porque posso ser cristão sem isso." Ora, você entende isso muito bem? Você pode ser tão bom cristão desobedecendo aos mandamentos do seu Senhor quanto sendo obediente? Bem, suponha que todos fizessem o mesmo? Suponha que todos os cristãos do mundo dissessem: "Não me unirei à Igreja." Ora, não haveria Igreja visível! Não haveria ordenanças! Isso seria muito ruim e, no entanto, se alguém o faz — o que é certo para um é certo para todos — por que não deveríamos todos fazer o mesmo? Então você acredita que, se praticasse um ato que tendesse a destruir a Igreja visível de Deus, seria tão bom cristão quanto se fizesse o possível para edificar essa Igreja? Eu não acredito nisso, senhor! Nem você. Você não tem essa crença — é apenas uma desculpa esfarrapada para outra coisa. Há um tijolo — um tijolo muito bom. Para que serve o tijolo? Para ajudar a construir uma casa. De nada adianta esse tijolo dizer que é tão bom quanto seria dentro da casa enquanto está jogado no chão. É um tijolo inútil! Até que seja embutido na parede, não serve para nada! Então, vocês, cristãos desorientados, não creio que estejam cumprindo seu propósito — estão vivendo em desacordo com a vida que Cristo quer que vivam — e são muito culpados pelo mal que causam! "Ah", diz um, "embora eu espere amar o Senhor, se eu me unisse à Igreja, sentiria um forte laço sobre mim." Exatamente o que você deveria sentir! Não deveria sentir que está ligado à santidade, agora, e ligado a Cristo, agora? Oh, esses laços abençoados! Se existe algo que possa me fazer sentir mais ligado à santidade do que já estou, eu gostaria de sentir esse grilhão, pois somente a liberdade reside em sentir-se ligado à piedade, à retidão e ao cuidado na vida!

"Ah", diz outro, "se eu me juntasse à Igreja, temo que não conseguiria permanecer nela." Suponho que você espera permanecer nela fora da Igreja — ou seja, você se sente mais seguro desobedecendo a Cristo do que obedecendo a Ele! Que sentimento estranho! Ah, é melhor você vir e dizer: "Meu Mestre, eu sei que os Teus santos devem estar unidos em comunhão na Igreja, pois as Igrejas foram instituídas pelos Teus Apóstolos — e confio que tenho a Graça para cumprir essa obrigação. Não tenho força própria, meu Mestre, mas a minha força reside em repousar em Ti — seguirei aonde Tu me guiares e deixarei o resto contigo."

"Ah, mas", diz outro, "não posso me juntar à Igreja — ela é tão imperfeita." Então você é perfeito, é claro! Se for assim, aconselho-o a ir para o Céu e se juntar à Igreja lá, pois certamente você não está apto a se juntar a ela na Terra e estaria completamente deslocado!

"Sim", diz outro, "mas vejo tanta coisa errada nos cristãos." Não há nada de errado em você, suponho? Só posso dizer, meu irmão, que se a Igreja de Deus não for melhor do que eu, lamento por ela. Quando entrei para a Igreja, senti que receberia muito mais do que provavelmente traria para ela. E com todas as falhas que vi vivendo nesses 20 anos ou mais na Igreja Cristã, posso dizer, como um homem honesto, que os membros da Igreja são os excelentes da terra, nos quais está toda a minha alegria — embora não sejam perfeitos, mas longe disso! Se, no Céu, existem pessoas que realmente vivem perto de Deus, são os membros da Igreja de Cristo.

"Ah", diz outro, "mas há muitos hipócritas." Suponho que você mesmo seja muito íntegro e sincero? Confio que sim, mas então deveria vir e se juntar à Igreja para contribuir para a sua integridade com a sua própria fé. Tenho certeza, meus caros amigos, que nenhum de vocês fechará suas lojas amanhã de manhã, ou se recusará a aceitar uma moeda de ouro quando um cliente entrar, porque por acaso há alguns falsificadores por aí negociando moedas falsas! Não, vocês não! E vocês não acreditam na teoria de alguns, de que, porque alguns cristãos professos são hipócritas, então todos o são, pois isso seria como dizer que, porque algumas moedas de ouro são falsas, então todas são falsas — o que seria claramente errado, pois se todas as moedas de ouro fossem falsificadas, nunca compensaria para o falsificador tentar passar suas falsificações! É a quantidade de metal bom que disfarça o ruim. Há uma boa quantidade de cristãos de ouro respeitáveis ​​ainda no mundo e ainda na Igreja — disso vocês têm certeza!

"Bem", diz um deles, "não creio — embora eu espere ser um servo de Deus — que possa me unir à Igreja. Veja bem, ela é tão malvista." Oh, que desprezo abençoado! Creio, irmãos e irmãs, que não há honra no mundo maior do que ser desprezado por aquilo que chamam de "sociedade" neste país! A maioria das pessoas é escrava do que chamam de "respeitabilidade". Respeitabilidade? Quando um homem veste um casaco no domingo, um casaco que ele mesmo pagou. Quando ele adora a Deus de noite ou de dia. Seja ele visto ou não — quando ele é um homem honesto e íntegro — não me importa quão modestos sejam seus ganhos, ele é um homem respeitável! E ele jamais precisará se curvar à ideia da sociedade ou à sua artificial respeitabilidade!

Essas várias formas de hipocrisia, pois não são outras, impedem muitos de se unirem à Igreja Cristã porque temem ser desprezados por pessoas respeitáveis ​​na sociedade. Li ontem mesmo em um jornal que seria inútil criar pares não conformistas, porque na geração seguinte eles deixariam de ser não conformistas e se tornariam respeitáveis ​​em sua religião — e temo que seja verdade! É ultrajante que, assim que algumas pessoas ascendem socialmente, renunciem à Igreja à qual se entregaram quando se entregaram ao Senhor! Chegará o dia em que o cristão mais pobre será exaltado acima do par mais orgulhoso que não temeu a Deus — quando Deus escolherá, das choupanas e cabanas da Inglaterra, uma nobreza de linhagem imperial que envergonhará todos os reis e príncipes do mundo! E estes Ele colocará acima dos serafins, enquanto outros serão expulsos de Sua Presença!

Digo a todos vocês que não se juntarão a esta Igreja porque isso diminuiria sua respeitabilidade: nem eu, nem Jesus Cristo, pedimos que se juntem a ela! Se esses são os deuses que vocês adoram — a Sociedade e a Respeitabilidade — vão adorar seus deuses mendigos, mas Deus exigirá isso de vocês no Dia do Juízo Final. Não há nada melhor do que servir a Cristo! Quanto a mim, ser desprezado, apontado, vaiado nas ruas, chamado por todos os tipos de nomes ruins — eu aceitaria tudo isso, antes de todas as estrelas de títulos de cavaleiro e nobreza, se o serviço a Cristo o exigisse, pois esta é a verdadeira honra do cristão quando ele verdadeiramente serve ao seu Mestre! O dia está chegando em que o Senhor fará a separação entre aqueles que O amam e aqueles que não O amam — e cada dia prepara o terreno para essa última divisão. Esta mesma noite, a divisão está sendo feita! Na pregação do Evangelho, ela está sendo realizada. Que cada um tome sua posição e se pergunte: você está com Cristo ou com Belial? Você está com Deus, com Cristo, com o precioso sangue, ou ainda se entrega aos prazeres pecaminosos e suas delícias? Pois terá que prestar contas quando os céus estiverem em chamas e a terra estremecer, e a trombeta do Juízo o convocar perante o Grande Trono Branco, então responda agora! E vocês, espíritos valentes que amaram seu Salvador — se ainda não se juntaram ao Seu exército, venham e alistem-se agora! E vocês, espíritos amorosos que são ternos e que se retraíram por um tempo, avancem agora —

"Vocês, que são homens, agora sirvam a Ele."

Contra inúmeros inimigos!

Sua coragem se fortalece com o perigo,

E força contra força. Hoje, levante-se por Jesus! Hoje, esteja disposto a ser o deserto de todas as coisas por amor ao Seu nome. E então, quando Ele vier em Sua Glória, sua será a recompensa, uma recompensa que superará em muito qualquer perda que você possa suportar hoje! "Quem crer e for batizado será salvo." "Quem crer com o coração e confessar com a boca será salvo." Creia no Senhor Jesus Cristo e que a Sua bênção esteja sobre você! Amém.

Fragmento do sermão Nº 3411 de Charles Spurgeon.

Modelo de oração intercessória pelos santos, baseado na oração intercessória de Jesus de João 17:21-26. Onde há parêntesis deve ser substituído pelo nome da pessoa a qual se ora.



Palavras de Jesus (João 17:21-26)

Adaptação para uso pessoal

Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que, pela sua palavra, hão de crer em mim; 

Pai, rogo por (x), que, pela sua palavra, crê em ti/ há de crê em ti.


para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. 

Para que (ele/ela) seja um, como tu, ó Pai, é em Jesus, e Jesus em ti; que também (ele/ela) seja um em vós, para que o mundo creia tu enviaste o Cristo.

E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. 

Tu lhe deu a glória que tu deste a Jesus, para que seja um, como Cristo e o Senhor são um.

Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim e que tens amado a eles como me tens amado a mim. 


Jesus Cristo em nós, e tu Pai, em Cristo, para que nós sejamos perfeitos em unidade e para que o mundo conheça que tu enviaste Jesus e que tem nos amado como tem amado a Jesus. 

Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me hás amado antes da criação do mundo. 

Pai, aqueles que tu deste ao Cristo quero que, onde Cristo estiver, também nós estejamos com Ele, para que possamos ver a glória que tu o deste; porque tu o amas desde antes da criação do mundo.

Pai justo, o mundo não te conheceu; mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste a mim. 

Pai justo, o mundo não te conheceu; mas Cristo te conheceu, e nós reconhecemos que tu o enviastes.

E eu lhes fiz conhecer o teu nome e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja.

Cristo nos fez conhecer o seu nome, e nos fará conhecer mais, para que o amor com que tu tens amado a Jesus esteja em nós, e Jesus esteja em nós


 Extraído do sermão #SD07 (Medo do futuro) de Martyn Lloyd-Jones


"Porque Deus não nos deu o espírito de medo, mas de poder, de amor e de equilíbrio" 
2 Timóteo 1:7 

   “Eis aqui uma excelente lição de psicologia, pois, afinal, qual é a principal causa desse espírito de medo? A resposta é 'ego' – amor-próprio, preocupação consigo mesmo, autoproteção. Se você percebesse que a essência desse problema é que essas pessoas medrosas estão, na verdade, absortas demais em si mesmas – como posso fazer isso, e se eu falhar? 'Eu' – elas estão constantemente se voltando para si mesmas, olhando para si mesmas e preocupadas consigo mesmas. E é justamente aqui que entra o espírito do amor, pois só há uma maneira de se livrar de si mesmo. Só há uma cura para o ego. Você nunca lidará com o ego sozinho. Essa foi a falácia fatal daqueles pobres homens que se tornaram monges e eremitas. Eles conseguiam se afastar do mundo e das outras pessoas, mas não conseguiam se afastar de si mesmos. Seu ego está dentro de você e você não pode se livrar dele; quanto mais você se mortifica, mais seu ego o atormentará.”

   Só existe uma maneira de se livrar do ego, e é se absorver tanto em alguém ou em algo que você não tenha tempo para pensar em si mesmo. Graças a Deus, o Espírito de Deus torna isso possível. Ele não é apenas o "espírito de poder", mas também o "espírito de amor". O que isso significa? Significa amor a Deus, amor ao grande Deus que nos criou, amor ao grande Deus que abriu o caminho da redenção para nós, criaturas miseráveis ​​– para nós que não merecemos nada além do inferno. Ele nos "amou com um amor eterno". Pense nisso, diz Paulo a Timóteo, e à medida que você se absorve no amor de Deus, você se esquecerá completamente de si mesmo. "O espírito de amor!" Ele o libertará do egoísmo, da preocupação consigo mesmo e da depressão, porque a depressão resulta do egoísmo e da preocupação consigo mesmo. Ele elimina o ego em todos os aspectos. Então, fale consigo mesmo sobre esse amor eterno e maravilhoso de Deus – o Deus que sempre olhou para nós apesar do pecado, planejou o caminho da redenção e não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós.”
Comentário pessoal
Uma ilustração prática deste conhecimento teórico exposto acima pode ser visto no episódio em que Pedro anda sob as águas. O texto diz: 'Então, Pedro saiu do barco, andou sobre as águas e foi em direção a Jesus. Mas, quando reparou no vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: ― Senhor, salva‑me! Imediatamente, Jesus estendeu a mão, segurou‑o e disse: ― Homem de pequena fé, por que você duvidou?' (Mateus 14:29-31). Enquanto Pedro manteve os olhos fixos em Cristo, em seguir sua ordem (venha), ele pode caminhar sob as águas. A partir do momento em que seu foco passou a ser em si mesmo, no que ele estava fazendo, e nas águas que o cercavam, ele teve medo e começou a afundar. Pois, quando o foco deixa de ser Cristo e suas ordens, afundaremos nas águas (aquilo em que estamos sob e não temos controle, a vida) até a morte, a menos que o Senhor intervenha, nos estenda a mão e torne nossos olhos focados nEle e em suas ordens, então teremos vida sem fim. A esperança na vida eterna elimina o medo das possíveis circunstâncias da vida temporal, porque “ (...) mesmo que o nosso ser exterior se corrompa, o nosso ser interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que não se veem; porque as que se veem são temporais, e as que não se veem são eternas.”. Se, de fato, se crê em uma eternidade de paz e alegria, qual a importância dos sofrimentos temporários? O medo tem a utilidade revelar o que temos medo de perder, o que mostra aonde está o nosso tesouro. Por isso ele em si não é um problema, mas pode ser um sintoma de uma doença mais grave. 
"Abre os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei." Salmo 119:18


Trecho de "Holiness", de J.C. Ryle

Que fique bem claro o que quero dizer. Não estou examinando o preço da salvação de um cristão. Sei muito bem que o custo para a expiação e a redenção do homem do inferno é nada menos que o sangue do Filho de Deus. O preço pago pela nossa redenção foi a morte de Jesus Cristo no Calvário. Fomos comprados por um preço. "Cristo se entregou como resgate por todos" (1 Coríntios 6:20; 1 Timóteo 2:6). Mas isso não vem ao caso. O ponto que quero considerar é completamente diferente. É aquilo que um homem deve estar disposto a abrir mão se deseja ser salvo. É a quantidade de sacrifício a que um homem deve se submeter se pretende servir a Cristo. É nesse sentido que levanto a pergunta: "Qual é o preço?". E creio firmemente que é uma pergunta importantíssima.

Admito livremente que custa pouco ser um cristão meramente exterior. Um homem só precisa frequentar um local de culto duas vezes no domingo e ser razoavelmente moral durante a semana, e já terá avançado tanto quanto milhares ao seu redor jamais avançarão em termos religiosos — tudo isso é trabalho barato e fácil: não exige abnegação nem sacrifício pessoal. Se isso é o que salva o cristianismo e nos levará ao céu quando morrermos, devemos alterar a descrição desse modo de vida e escrever: “Larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz ao céu!”

Mas, segundo os padrões bíblicos, ser um verdadeiro cristão tem um preço. Há inimigos a serem vencidos, batalhas a serem travadas, sacrifícios a serem feitos, um Egito a ser abandonado, um deserto a ser atravessado, uma cruz a ser carregada, uma corrida a ser percorrida. A conversão não é simplesmente colocar alguém numa poltrona e levá-lo para o céu. É o início de um grande conflito, no qual a vitória custa caro. Daí a importância inestimável de "calcular o preço".

Permitam-me mostrar com precisão e em detalhes o preço a se pagar por ser um verdadeiro cristão. Suponhamos que um homem esteja disposto a servir a Cristo e se sinta atraído e inclinado a segui-Lo. Suponhamos que alguma aflição, ou alguma morte súbita, ou um sermão inspirador, tenha despertado sua consciência e o feito sentir o valor de sua alma e o desejo de ser um verdadeiro cristão. Sem dúvida, há tudo para encorajá-lo. Seus pecados podem ser perdoados gratuitamente, por mais numerosos e graves que sejam. Seu coração pode ser completamente transformado, por mais frio e endurecido que seja. Cristo e o Espírito Santo, misericórdia e graça, estão prontos para ele. Mas ainda assim ele deve calcular o preço. Vejamos, em particular, uma a uma, as coisas que sua religião lhe custará.

(1) Por um lado, isso lhe custará a sua justiça própria. [Pela graça de Deus...] Ele deve abandonar todo o orgulho, os pensamentos altivos e a presunção de sua própria bondade. Deve contentar-se em ir para o céu como um pobre pecador, salvo apenas pela graça imerecida e devendo tudo ao mérito e à justiça de outro. Deve realmente sentir, bem como proferir, as palavras do Livro de Oração Comum — que “errou e se extraviou como uma ovelha perdida”, que “deixou de fazer o que devia e fez o que não devia, e que não há saúde nele”. Deve estar disposto a renunciar a toda confiança em sua própria moralidade, respeitabilidade, oração, leitura da Bíblia, frequência à igreja e recebimento dos sacramentos, e a confiar somente em Jesus Cristo.

Isso pode parecer difícil para alguns. Não me surpreende. "Senhor", disse um lavrador piedoso ao conhecido James Hervey, de Weston Favell, "é mais difícil negar o orgulho do que o pecado. Mas é absolutamente necessário." Vamos colocar este ponto em primeiro lugar em nossa narrativa. Para ser um verdadeiro cristão, o homem terá que abrir mão da sua justiça própria.

(2) Além disso, isso custará ao homem seus pecados. Ele deve estar disposto a abandonar todo hábito e prática que seja errado aos olhos de Deus. Ele deve se opor a isso, discutir com isso, romper com isso, lutar contra isso, crucificá-lo e se esforçar para mantê-lo subjugado, não importa o que o mundo ao seu redor diga ou pense. Ele deve fazer isso honestamente e com justiça. Não deve haver trégua separada com nenhum pecado específico que ele ame. Ele deve considerar todos os pecados como seus inimigos mortais e odiar todo caminho falso. Sejam pequenos ou grandes, sejam abertos ou secretos, todos os seus pecados devem ser completamente renunciados. Eles podem lutar arduamente com ele todos os dias e, às vezes, quase dominá-lo. Mas ele nunca deve ceder a eles. Ele deve manter uma guerra perpétua contra seus pecados. Está escrito: “Lançai fora de vós todas as vossas transgressões.” — “Abandonai os vossos pecados e iniquidades.” — “Cessa de praticar o mal.” (Ezequiel 18:31; Daniel 4:27; Isa. 1:16).

Isso também parece difícil. Não me surpreende. Nossos pecados muitas vezes nos são tão queridos quanto nossos filhos: nós os amamos, os abraçamos, nos apegamos a eles e nos deleitamos neles. Separar-se deles é tão difícil quanto cortar uma mão direita ou arrancar um olho direito. Mas precisa ser feito. A separação precisa acontecer. “Ainda que a maldade seja doce na boca do pecador, ainda que ele a esconda debaixo da língua; ainda que a poupe e não a abandone”, ela precisa ser abandonada, se ele quiser ser salvo. (Jó 20:12, 13). Ele e o pecado precisam lutar, se ele e Deus quiserem ser amigos. Cristo está disposto a receber qualquer pecador. Mas Ele não os receberá se eles se apegarem aos seus pecados. Coloquemos esse item em segundo lugar em nossa análise. Para ser cristão, o homem terá que entregar seus pecados.

(3) Além disso, custará ao homem seu amor pelo conforto . Ele deve se esforçar e se empenhar, se pretende correr com sucesso a corrida rumo ao céu. Deve vigiar e estar vigilante diariamente, como um soldado em território inimigo. Deve atentar para seu comportamento a cada hora do dia, em todas as companhias e em todos os lugares, tanto em público quanto em particular, entre estranhos e em casa. Deve ser cuidadoso com seu tempo, sua língua, seu temperamento, seus pensamentos, sua imaginação, seus motivos e sua conduta em todas as relações da vida. Deve ser diligente em suas orações, em sua leitura da Bíblia e em seu uso dos domingos, com todos os seus meios de graça. Ao se dedicar a essas coisas, ele pode ficar muito aquém da perfeição; mas não há nenhuma delas que ele possa negligenciar sem consequências. “A alma do preguiçoso deseja e nada alcança; mas a alma do diligente prosperará” (Provérbios 13:4).

Isso também parece difícil. Não há nada que naturalmente detestemos tanto quanto a "dificuldade" em nossa religião. Detestamos dificuldades. Secretamente, desejamos ter um cristianismo "vicário", ser bons por procuração e ter tudo feito por nós. Qualquer coisa que exija esforço e trabalho é totalmente contrária à essência do nosso coração. Mas a alma "não pode ter ganhos sem dores". Coloquemos esse item em terceiro lugar em nossa lista. Ser cristão custará ao homem seu amor pelo conforto.

(4) Por fim, custará ao homem o favor do mundo . Ele deve contentar-se em ser malvisto pelos homens se agradar a Deus. Não deve estranhar ser zombado, ridicularizado, caluniado, perseguido e até odiado. Não deve se surpreender ao ver suas opiniões e práticas religiosas desprezadas e alvo de escárnio. Deve submeter-se a ser considerado por muitos como tolo, entusiasta e fanático — a ter suas palavras deturpadas e suas ações deturpadas. Na verdade, não deve se admirar se alguns o chamarem de louco. O Mestre diz: “Lembrem-se das palavras que eu lhes disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também perseguirão vocês; se guardaram a minha palavra, também guardarão a de vocês” (João 15:20).

Ouso dizer que isso também parece difícil. Naturalmente, detestamos injustiças e acusações falsas, e achamos muito difícil sermos acusados ​​sem motivo. Não seríamos de carne e osso se não desejássemos a boa opinião de nossos semelhantes. É sempre desagradável ser alvo de fofocas, ser abandonado, ser alvo de mentiras e ficar sozinho. Mas não há como evitar. O cálice que nosso Mestre bebeu deve ser bebido por Seus discípulos. Eles devem ser “desprezados e rejeitados pelos homens” (Isaías 53:3). Deixemos isso por último em nossa narrativa. Ser cristão custará ao homem o favor do mundo.

Essa é a descrição do preço a se pagar por ser um verdadeiro cristão. Reconheço que a lista é extensa. Mas onde está o item que poderia ser removido? De fato, é preciso muita ousadia para afirmar que podemos manter nossa justiça própria, nossos pecados, nossa preguiça e nosso amor pelo mundo, e ainda assim sermos salvos!

Reconheço que ser um verdadeiro cristão custa caro. Mas quem, em sã consciência, pode duvidar que vale a pena qualquer custo para salvar a alma? Quando o navio corre o risco de afundar, a tripulação não hesita em lançar ao mar a preciosa carga. Quando um membro está mutilado, um homem se submeterá a qualquer operação drástica, até mesmo à amputação, para salvar a vida. Certamente, um cristão deveria estar disposto a abrir mão de tudo o que se interpõe entre ele e o céu. Uma religião que não custa nada não vale nada! Um cristianismo barato, sem cruz, provará, no fim, ser um cristianismo inútil, sem coroa.



 "Naquele tempo toda a humanidade falava uma só língua. Deslocando-se e espalhando-se em direção ao oriente, os homens descobriram uma planície na terra de Sinar e depressa a povoaram. E começaram a falar em construir uma grande cidade, para o que fizeram tijolos de terra bem cozida, para servir de pedra de construção e usaram alcatrão em vez de argamassa. Depois eles disseram: “Vamos construir uma cidade com uma torre altíssima, que chegue até aos céus; dessa forma, o nosso nome será honrado por todos e jamais seremos dispersos pela face da Terra!" O Senhor desceu para ver a cidade e a torre que estavam a levantar. “Vejamos se isto é o que eles já são capazes de fazer; sendo um só povo, com uma só língua, não haverá limites para tudo o que ousarem fazer. Vamos descer e fazer com que a língua deles comece a diferenciar-se, de forma que uns não entendam os outros.” E foi dessa forma que o Senhor os espalhou sobre toda a face da Terra, tendo cessado a construção daquela cidade. Por isso, ficou a chamar-se Babel, porque foi ali que o Senhor confundiu a língua dos homens e espalhou-os por toda a Terra."
Gênesis 11:1-9

Moral da história

O que se passa na história é que os homens desejaram algo (se manter unidos na terra) e sentiram medo de não ter esse algo. Por isso, elaboraram pela própria inteligência uma solução do que impediria a realização de seu medo (ter fama na terra e alcançar os céus). Com o entendimento próprio, concluíram que aquilo que sabiam fazer (construir coisas com tijolos) era suficiente para conseguirem a posição de destaque de almejavam. No fim, aquilo que jugaram ser o meio que traria o que pensavam ser a solução na realidade foi a causa da realização do que tinham medo. Pois Deus, ao ver o homem cogitar ser capaz de se erguer aos céus por esforço próprio o derruba e destrói.


Analisando os fundamentos do medo

Esses homens que planejaram construir a torre eram os descendentes de Noé. O capítulo anterior é a genealogia dos descendentes de Noé, só haviam descendentes de Noé na terra. Isso é  muito importante de se saber. Os pais e avós deles foram protegidos por Deus na arca. Foram as únicas pessoas do mundo que foram preservadas da trágica morte por afogamento, e agora eles estão sentindo medo de serem espalhados pela terra e buscando salvação para o problema baseado nos próprios esforços ao invés de confiar que a solução vem de Deus.

O capítulo anterior mostra que esses que foram espalhados pela terra eram os da descendência de Canaã, que havia sido amaldiçoada por Noé. É possível que eles temessem ser espalhados por saberem estar debaixo de uma maldição e por isso tentaram, pelo próprio esforço, se livrar da maldição. Eles viram a consequência da desobediência, como era terrível, e ao invés de temer a Deus que traz maldição a quem transgride sua lei,  eles temeram a maldição em si mesma, e o meio para impedi-la foi a ilusão de ser como Deus, por meio das próprias ações.

Quantas vezes nós analisamos nossos medos para ver quais as bases dele? quantas vezes tememos mais as consequências de uma transgressão da lei do que o Criador da lei? Devemos examinar a nós mesmos, e buscar encontrar quais são os nossos medos e se eles tem fundamentos. Devemos ver se nossos medos não são consequências de transgressões e ao invés de caçar soluções pelo próprio entendimento, devemos temer o que realmente devemos, a Deus, entregar nossas ansiedades e buscar seguir o que Ele manda. O tolo teme as coisa que estão debaixo do controle do Criador, enquanto o sábio teme somente o Criador que controla todas as coisas. Esse é o princípio da sabedoria.


Sobre a solução para o problema temido

E se ao invés de buscar uma solução para se tornarem como Deus, eles pegassem esse medo de dispersão pela terra, fossem até Deus e dissessem o medo e a razão. Deus não os protegeria? Mas eles procuraram soluções do próprio entendimento, e o próprio projeto que parecia ser a solução foi a causa da ruina e da realização do que mais temiam.

A solução ilusória deles, a cisterna rota deles, foi a honra, e o meio para a honra foi a torre. A ideia para a torre, foi ter conseguido fazer tijolos com a própria mão. Primeiro, descobriram como fazer algo com as próprias mãos (Tijolo), deu certo, e então cobiçaram honra, pois viram naquilo a solução pelas próprias mãos para resolver seu problema. Se eram capazes de fazer tijolos, então eram capazes de fazer um cidade e uma torre e isso traria a segurança, pelas próprias mãos.

A honra é um atributo divino, a capacidade de permanecer no mesmo lugar seguro também. Em outras palavras, eles desejaram ser como Deus. Isso está muito claro em Gálatas, é a natureza carnal e seus frutos. A minha maior ferramenta de análise da realidade tem sido o livro de Gálatas, pois não tem falha alguma. Todo erro humano é produto de sua natureza e réplica do que se passou no Jardim, o desejo de ser como Deus. Todo homem natural odeia a Deus pois o cobiça, quer ser como Ele. Além de que não tem nem a capacidade de enxergar que essa é a sua circunstância, que é por isso que faz ou deixa de fazer uma ação, tudo gira em volta desse desejo, que está no sangue.

Isso pode ser replicado nos dias de hoje de tantas maneiras. Uma pessoa, ao ver que consegue ganhar 1.000 com o seu próprio esforço, como resultado de um projeto que deu certo, pode aumentar seu plano de lucro para por exemplo 10.000 e pensar em ganhos infinitos, e nisso, ao ver o resultado do próprio esforço, enxergar que a consequência das próprias capacidades é um meio para impedir que o que ela teme ocorra ou que o próprio trabalho a torne independente de Deus. Alguns temem a solidão, outros temem não ter comida ou roupa de qualidade, outros temem serem mal vistos pelos outros. Também pode-se considerar uma torre de babel toda presunção de se elevar aos céus por meio de algo vindo de si próprio. É depositar a confiança nas coisas criadas ao invés do Criador.


Sobre as ação de Deus na história

A segunda parte da história é praticamente a ilustração prática de provérbios 10.24: "Aquilo que o ímpio teme, isso lhe sobrevém; o que os justos desejam Deus lhes concede". Deus castiga os ímpios fazendo com que seus medos se tornem realidade. No caso, a própria ação que se imaginava que seria a solução trouxe o que era temido. Também mostra como as circunstâncias que acontecem na terra são controladas e limitadas por Deus. Os ímpios podem ter poder, mas tudo o que eles fazem está sendo observado e controlado.  Provérbios 16:9: "Em seu coração  o homem planeja o seu caminho,  mas o Senhor determina os seus passos".  Refletir sobre o governo de Deus no mundo, como tudo está debaixo de sua observação e intervenção constante dá uma paz imensa. Isso explica o porque que aquele que vive no esconderijo do altíssimo descansa no sombra do todo poderoso. Pois, mesmo com todas as circunstâncias sendo adversas, ele sabe que não há nada que não esteja no controle de Deus. E ele não acredita de forma apenas teórica, mas genuinamente confia nisso, por isso tem paz. É comum ver no meio religioso um desespero muito grande por política, como se a salvação viesse de um político específico e como se as ações de um político mal não estivessem sendo controladas por Deus. Como se a própria vida do político mal não tivesse sido dada e mantida por Deus. Deus está no controle de todas as coisas, do mesmo jeito que controlou a terra para impedir o mal que os seres humanos iriam causar naquele momento, Ele controla hoje. Como Paulo disse, todo governante é posto por Deus, mas pessoas tem uma dificuldade imensa de acreditar nisso, agem como os homens de Babel, preferem acreditar no próprio medo, na solução gerada pelo próprio entendimento do que ir a Deus que é a fonte das bênçãos e maldições. Ou até vão a Deus, mas vão pedindo (se não ordenando) tudo o oposto do que Ele manda e acrescentam um "em nome de Jesus" ao final da oração, como se fosse uma fórmula mágica, como se ao dizer essas palavras, toda a oração contrária aos ensinos de Jesus estivessem sob o nome de Jesus.
Tudo isso é cavar cisternas rotas. o tolo não teme a Deus (Provérbios 1:7), mas teme as circunstâncias da vida passageira. Se o nosso temor for de circunstâncias temporais, com certeza o nosso medo virá sobre nós. Temos que ter medo de Deus e do seu juízo final, não de suas maldições temporárias.


Sobre a confusão das línguas

Deus, para destruir o plano dos ímpios, usou o método de fazer com que uma pessoa não entendesse o que a outra dizia. Sabemos que satanás imita o que Deus faz de forma deturpada, com a intenção de causar o mal. Se Deus, para o bem, destruiu um plano mal pelo meio de impedir que uma pessoa entendesse o que a outra dizia, pode-se pressupor que satanás use do mesmo método para tentar destruir planos bons. É interessante observar como os planos são destruídos a partir do momento que as pessoas que o estão executando deixam de se entender. Por isso é necessário se certificar de ouvir com atenção e garantir que entendeu o que o outro quis dizer, pois ruídos na comunicação podem trazer danos graves.

"Não chamem conspiração a tudo o que este povo chama conspiração; não temam aquilo que eles temem, nem se apavorem. Ao Senhor dos Exércitos é que vocês devem tratar como santo, é a Ele que vocês devem temer, é dele que devem ter pavor."
Isaías 8:12-13


O novo testamento nos revela que a salvação se dá puramente pela graça, sem mérito algum do ser humano, pois está escrito: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós; é dom de Deus, não por obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9) e "Ele nos salvou, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo" (Tito 3:5). De fato, a salvação só pode ser pela graça por meio da fé, nesse ponto todos os cristãos estão de acordo. Mas, referente ao modo como essa graça opera, há duas visões distintas: A da graça preveniente (doutrina arminiana) e a graça irresistível (doutrina reformada).

No arminianismo clássico, a graça previniente se refere a doutrina de que o Espírito Santo concede a todos os homens um tipo de graça onde eles são libertos do pecado original e parcialmente regenarados para poderem livremente decidir se aceitam ou não o evangelho. Na definição de Roger Olson:

“A graça preveniente é simplesmente a graça de Deus convincente, convidativa, iluminadora e capacitadora, que antecede a conversão e torna o arrependimento e a fé possíveis. Os calvinistas interpretam-na como irresistível e eficaz; a pessoa na qual esta graça opera irá se arrepender e crer para salvação. Os arminianos interpretam-na como resistível; as pessoas sempre são capazes de resistir à graça de Deus, conforme a Escritura nos adverte (At 7.51)”                                                                          Teologia Arminiana: Mitos e Realidades, Roger Olson.

A principal questão com a suposição de uma "natureza temporariamente neutra" é a de que: o que faz um homem aceitar a oferta e outro não? Se ambos estão igualmente cegos quanto a Deus, e ambos recebem graça na mesma proporção, porque um aceita e o outro rejeita? Por que a vontade de um é mais correta do que a de outro? Se o objetivo da graça é tornar o pecador "neutro", o que o tira do estado neutro e o leva para o sim ou não? Qual é o fator que confirma sua fé? Pode-se deduzir, de forma consciente ou não, que se um aceita baseado em alguma convicção interna sua que está além da graça, é porque algo no entendimento próprio (seja inteligência, vontade, consciência, genética ou o que for) dessa pessoa é melhor, mais correto, do que há no da outra. Me parece um atentado contra a justificação somente pela graça (Tito 3:5-7), pois no caso, a graça é insuficiente por exigir algo além dela, algo que vem do próprio ser humano. 

Não há algo na bíblia como um estado intermediário de natureza. Cristo disse: "O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito." (João 3:6) e Paulo nos informa em Gálatas 5:17: "Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si" Como então é possível que algo que parta do próprio ser humano (carne) possa ser favorável a algo que é do Espírito (fé), sendo os dois opostos? (Romanos 8:7–8; 1 Coríntios 2:14; Efésios 2:8–9). Cristo ensinou que as decisões de todas as pessoas não são aleatórias, mas reflexos de sua natureza: "Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons." (Mateus 7:17-18) (Lucas 6:45). Se a resposta do homem sempre vai ser baseada em sua natureza, e nesse "estado intermediário" a sua natureza é neutra, segue-se que o homem não tomaria decisão alguma, permaneceria neutro quanto ao assunto, pois, por sua vontade natural o negaria, pela vontade divina o aceitaria,  pela tal vontade neutra ele permaneceria neutro.  Para manter a conclusão de que o ser humano pode optar por escolher ou negar a Deus livremente seguindo a coerência lógica, seria preciso, como Finney fez, remover a premissa de que há uma corrupção natural no homem que o faz se inclinar para o mal, mas ao fazer isso, se estaria negando afirmações explicitas de Paulo. Além de que essa "regeneração parcial" e "estado intermediário", caso verdadeiros, deveriam estar claro nas escrituras, o que não ocorre. 

Alguns alegam que ambos reformados e arminianos creem em uma graça preveniente, com a diferença de que a graça preveniente reformada é irresistível e a graça preveniente arminiana é resistível. Essa afirmação não é precisa. A visão reformada é a de que um homem só pode ter fé após a regeneração, pois a fé é um dom espiritual; ao contrário da visão de que a fé é o requisito para que o homem seja regenerado. Alguém não regenerado não poderia ter fé pois, como disse, ela estaria vindo de si mesmo e isso é impossível (1 Co 2:14). Se o Espírito desse um pouco de fé e aguardasse o ser humano fazer o que quiser com ela, ele, por sua própria natureza a desprezaria, a menos que houvesse bem em si mesmo e o bem do humano vem totalmente de Deus. Novamente, uma possibilidade impossível no caso de depravação total. 

Na parábola do semeador, Cristo diz que aqueles que ouvem a mensagem, retêm e produzem frutos são aqueles os quais a mensagem foi plantada em terreno fértil, que é o coração bom e honesto (Lucas 8:11-15). A primeira vista, essa afirmação parece contradizer as outras sobre o coração do homem, como em Gênesis 8:21; Eclesiastes 9:3; Jeremias 17:9; Marcos 7:21-23;  Efésios 2:1-3. Quando a bíblia se refere ao coração do homem, ela diz que é enganoso e corrupto, que é o exato oposto de honesto e bom. Como pode então a semente ser plantada em terreno fértil, se todos os terrenos são estéreis por natureza. Bem, essa é a graça do Espírito. Está escrito: “Dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei um coração de carne."  e “...não pelas obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador.". Desse modo se conclui que é o Espírito que torna o solo fértil para que a semente seja semeada em um lugar propício. E também que se há corações férteis, é porque o Espírito os tornou assim, não por sua própria natureza. Se a graça fosse realmente dada a todos, e nem todos se tornassem férteis, estaria se assumindo que a operação do Espírito foi ineficaz em tornar um coração enganoso e corrupto em um bom e honesto, o que é impossível. Conclui-se que a fé é a consequência da regeneração e não a causa pois um coração bom e honesto é um coração regenerado.

Argumenta-se que levando a risca desse modo o que a bíblia ensina, se elimina a liberdade humana e por isso a interpretação do que Paulo diz deve ser algo oposto do que aparenta ser. É necessário definir no que consiste a liberdade. O que se entende por liberdade costuma ser a possibilidade de escolher entre dois opostos, mas esse é o conceito bíblico de liberdade? se fosse assim, Deus seria livre, considerando que ele não pode optar pelo mal, por ser contrario a sua própria natureza (Tiago 1:13; 2 Timóteo 2:13; Hebreus 6:18)? Paulo diz: “...para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos forte alento, nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta.” Se é impossível que Deus minta, Ele não é livre? Muito pelo contrário, sua impossibilidade de mentir revela sua liberdade, pois, caso mentisse, a própria verdade (João 14:6) seria escrava da mentira, o que é uma impossibilidade lógica. O que a bíblia apresenta como liberdade é a prática do bem, ou a impossibilidade de praticar o mal, isso é ser livre (João 8:34-36; 2 Coríntios 3:17; Tiago 1:25; Salmo 119:45; Gálatas 5:1, 13).  Já está provado tanto no que consiste a liberdade, quanto que o homem natural não a possui, apenas o homem regenerado. 

Depois, se argumenta que esse modo de salvação não é justo, que Deus teria que ser mal caso criasse pessoas que iriam ser condenadas. Primeiro, quem determina o que é justo ou não é Deus. Assim como no caso do problema do mal, não cabe a mim, como criatura, usar do meu padrão de moralidade para julgar a Deus e sua ações para determinar se é justo ou não. O que me compete é buscar entender o que Ele revela sobre si e simplesmente crer, sem tentar adicionar nada que, ao meu próprio entendimento, parece mais justo. Se em João 6:37 Cristo disse que os que vão a Ele são os que o Pai o dá, não cabe a mim questionar as razões do Pai, apenas aceitar até onde Ele quis revelar. A segunda questão é "problemática" tanto no calvinismo quanto no arminianismo, pois, em ambos os esquemas teológicos, Deus sabia quem seria condenado e ainda sim criou essa pessoa. Isso o torna responsável pelo mal? de modo algum, pois não é Ele que induz ninguém a pecar, e sabemos que Ele odeia profundamente todos os pecados. Esse tipo de questionamento aparentemente paradoxal leva a questão do problema do mal, que pode ser abordada em outro artigo.

"Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos."
Isaías 55:8-9





"Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.  Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.  Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo."
Efésios 6:10-20

O apóstolo inicia o capítulo nos instruindo contra um erro muito comum, o de achar que estamos travando uma luta contra as pessoas que praticam o mal (carne e sangue) ou que temos a capacidade de impedir o mal controlando o comportamento das pessoas. Ele esclarece que nossa luta é contra a origem desse mal (principados, potestades e príncipes das trevas nas regiões celestiais). Ou seja, não lutamos contra um mentiroso, mas contra o pai da mentira. Na idade média se costumava pensar que a luta era contra a carne e sangue, por isso se praticava ascetismo e guerras por razões religiosas. Logo após Paulo esclarece, passo a passo, de forma ilustrada para facilitar a compreensão, de que modo essa luta deve ser feita. 

Ele ordena que nos fortaleçamos no Senhor e na força de seu poder, que é receber em nós a força que vem do Senhor. Essa ordem de se fortalecer no Senhor nos revela que para sermos fortes dependemos do Senhor. Isso significa que uma pessoa que não está em comunhão com o Senhor não possui força, pois o modo como a força vem ao ser humano é através do Senhor, estando nele. Esse é uma alerta de que, se queremos ser fortes, devemos estar em um estado de conexão profunda com Deus, em contato diário. Ser forte no Senhor também anula todas nossas desculpas de fraqueza, pois, se a força é do Senhor e através ela fazemos as coisas, não temos mais desculpas para deixar de fazer o que é de nossa obrigação, toda a disposição necessária para fazer o Senhor já concedeu e a nós cabe apenas confiar e partir para a ação. O modo que nos dá para nos fortalecemos é nos revestindo da armadura completa de Deus, com os objetivos de:

  • Permanecer firme contra as ciladas do diabo;

Permanecer firme é resistir, e é o oposto de ceder, fugir ou ser derrubado. O texto repete "permanecer firme" 3 vezes.

  • Poder resistir no dia mau;

Provavelmente o dia de alguma tentação ou dificuldade em especial.

  • Permanecer inabalável após ter feito tudo.

Feito tudo o que é da obrigação do cristão fazer.

O texto indica que o diabo possui várias estratégias, não diz explicitamente quais são elas. Sabemos que o objetivo geral de Satanás é afastar as pessoas de Deus, e que o afastamento se dá através da desobediência, então ele poderá usar qualquer método convincente para fazer com que uma pessoa desobedeça a Deus e nem perceba que o fez, assim como ocorreu com Eva. O único modo de identificar essas estratégias e não cair nelas é fazendo o que o texto diz, usando a armadura completa e permanecendo em oração constante. O foco do capítulo não é passar uma lista completa das possíveis táticas do diabo a serem descobertas por nós mesmos, isso é exaustivo. O foco é expor nossa incapacidade de estar de pé por conta própria e a necessidade de nos mantermos submissos a Deus a todo momento, dessa forma estaremos fortes, protegidos e capazes de enxergar as situações corretamente.

Ele ordena por a armadura completa de Deus, pois cada elemento dela representa um ponto específico do evangelho. Se temos um e não temos outro, então não estamos em Deus. Pode alguém ser salvo (capacete) e crer que se salvou pelas obras (couraça)? ou alguém ter como sua base o evangelho (sapato) e viver em mentira (cinto)? por isso a necessidade de vestir toda a armadura. E vestidos de toda a armadura, somos capazes de resistir a Satanás, ao dia mal e permanecermos inabaláveis pois certamente somos nascidos de novo (Efésios 1:13), e como está escrito "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca". 


O Cinto da Verdade

A descrição da armadura começa com a ordem de cingir-se da verdade. Em uma armadura real, o ato de apertar o cinto, cingir, era realizado antes da batalha para fazer o soldado entrar em postura de prontidão para o combate. Cingir significava se preparar, ativar o estado de alerta, como a Escritura diz muitas vezes "vigiai" ou "estai alerta". 1 Pedro 1:13 usa a expressão "cingir os lombos" como um sinônimo de "estejam preparados". Do mesmo modo, cingir-se da verdade significa, estejam preparados/prontos com a verdade. E de que modo prático isso se dá? Basicamente, estar pronto com a verdade é a conhecer, o que se obtém por meio do Espirito Santo e do estudo das Escrituras. O que é a verdade que o homem pode conhecer e aplicar são as verdades reveladas nas Escrituras. É julgar as circunstâncias com lentes bíblicas. 

Por exemplo: No cenário político atual, há vários problemas, como corrupção, hiper taxações, guerras e tudo mais. Algumas pessoas se desesperam, outras propõem soluções baseadas no próprio entendimento e própria inteligência, outros creem que determinados políticos resolveriam a situação e consertariam totalmente a situação, sem causar nenhum  mal maior para conseguir isso. 
Alguém com o lombo cingido da verdade, não permite que o desespero tome conta de si, pois sabe que há um Deus soberano controlando todas as coisas e que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam, por mais que não consigamos enxergar de que modo. Também não propõe soluções baseadas no próprio entendimento pois sabe que isso impede de confiar naquele que realmente sabe de todas as coisas e nem procura, por meio da própria inteligência, propor soluções, pois sabe que Deus tornou louca a sabedoria desse mundo e a verdadeira sabedoria, para esse mundo, é vista como loucura. Tão pouco crê que algum político poderia trazer a realidade perfeita, pois o Édem foi proibido de ser vivido onde há pecado; nem crê que eles possam causar algum bem sem causar muitos outros maus, e nem que eles sejam puramente bons e bem intencionados com erros acidentais, pois isso é contrário a doutrina da depravação total.

Esse foi um breve exemplo, mas é dessa forma como a verdade, as doutrinas reveladas nas escrituras, são aplicadas de forma prática na minha vida, servindo como as lentes nas quais posso enxergar de forma nítida a realidade que aos meus olhos é completamente embaçada. Não há um guia ou uma checklist para isso. Você não pode esperar ter capacidade de aplicar todas as verdades reveladas pelo próprio entendimento, porque somente o Espírito pode fazer, no momento devido. Enxergar o mundo e as circunstâncias com as lentes certas não vem de um trabalho braçal do ser humano, mas da misericórdia de Deus conceder a quem o busca o Espírito que guia em toda a verdade (João 16:13). Nossa parte consiste em buscar a Deus, expor nossa incapacidade, pedir que nos permita entender as escrituras e sua aplicação e nos dedicarmos a leitura dela todos os dias. O Espírito trará na nossa mente o entendimento correto das circunstâncias, conforme andamos com Ele, pois ele guia nossos passos, nosso entendimento e nos guiará em toda a verdade (Salmo 119:105; Salmo 43:3;  Salmo 25:5; Provérbios 4:11-12). Como falei, não é algo que vem de um esforço braçal do ser humano, mas de um relacionamento dinâmico.


Couraça da justiça

Na armadura, a couraça tinha a função de proteger os órgãos vitais, especialmente o coração. Na bíblia, o termo coração aparece diversas vezes, ele significa mente/pensamentos/intelecto. É preciso lembrar que a armadura é de Deus e não nossa. Ele nos permite colocar a armadura que é dEle. Então a justiça, que é a couraça, é a justiça de Deus e não a nossa. Até porque nós não temos justiça própria (Isaías 64:6, Filipenses 3:9, Salmo 14:2-3). A justiça de Deus que ele nos concede vestir é a justificação pela fé, como vemos em Romanos 3:21-22, 24-26.

Podemos entender que a função da justiça em nós é tanto nos livrar da morte quanto proteger nossa mente. Quando o ataque mortal nos atingir, não morreremos. Pois, por meio da justiça de Deus posta em nós, que é a couraça de Deus em nós, que é a justificação pela fé, nós recebemos a vida eterna. E também como a couraça, a fim de proteger a vida, protege especialmente o coração, a justiça de Deus em nós endireita e protege nossos pensamentos e entendimento que antes eram corrompidos pelo pecado, assim recebemos em nós a mente de Cristo (1 Coríntios 2:16 ).

Aqui é importante enfatizar a depravação total. Não há nada de bom no ser humano, nem nada que ele faz por si mesmo que mereça algo além de condenação. Quando alguém faz algo bom, não é ela que está fazendo, mas a graça (seja comum ou salvífica) através dela, por alguma razão. Fazer um "bem" é mais do que a obrigação do ser humano, nada do que ele pode esperar receber uma recompensa. Do contrário, Cristo diz que após ter feito tudo, o ser humano ainda é um servo inútil (Lucas 17:10). Quanto mais alguém que está muito longe de fazer tudo, que faz menos do que 0,5% de tudo. Deus é tão abundante em graça que concede ao ser humano o perdão das suas milhares de transgressões diárias caso haja arrependimento e ainda o promete recompensas eternas pelo o que o Espírito dEle próprio realizou dentro do ser humano. Essa concepção de si mesmo é a "pobreza de espírito" narrada no sermão da montanha.

Podemos imaginar que os ataques contra a justiça de Deus em nós são os ataques contra a justificação pela fé. Certamente alguma ilusão de justificação por mérito próprio: algo como a ideia de que não pode ser salvo por ter cometido algo, mesmo após ter se arrependido, mudado e pedido perdão; ou de que é salvo por alguma ação que realizou; ou ser cego a ponto de não enxergar pecado em si mesmo; ou ser bom aos próprios olhos e por aí em diante. Lembre-se "A Deus pertence a salvação" não possuímos nenhuma espécie de mérito salvífico, não é por nossas próprias ações que recebemos a vida eterna, mas pela misericórdia de um Deus bom. Deus sabe que somos falhos e está disposto a perdoar tudo aquilo que confessarmos com arrependimento genuíno e intenção de nunca mais praticar. Mais uma vez, a salvação não é por mérito próprio. Outra espécie de ataque contra a couraça poderia ser fazer o ser humano ter a ilusão de bondade própria, ser bom aos próprios olhos (Provérbios 3:7-8). Cristo disse: "Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus." (Lucas 18:19). Se ele agiu dessa forma, o que devemos fazer? seguir-lhe o exemplo (João 13:15). Para isso, é necessário desprezar toda espécie de bajulação e lisonjeio (Provérbios 29:5; Provérbios 26:28), não deixando que nenhum comentário desse tipo entre em nosso coração nem crie nenhuma raiz, pois não queremos usurpar os méritos do que não é nosso, sabendo que o bem que há em nós não é nosso (Tiago 1:17-19).

Não é incomum pessoas pecarem por pararem de ter Deus como referência por estarem ocupadas olhando para si mesmas e seus méritos. Por exemplo, uma moça cristã se relaciona com um homem que a trai por se considerar indigna de um bom relacionamento bom. Comumente isso é visto entre os céticos como um caso de baixa alto estima. Mas, teologicamente falando, é um caso de estima excessiva de si mesmo. Pois, somente se estimando mais do que estimando as ordens de Deus você ignoraria o que Ele diz para agir de acordo com as suas concepções de si mesmo. Dentro do cristianismo não existe esse tipo de coisa como agir em resposta a sua visão de si mesmo, todas as ações devem ser pautadas em obedecer ao que Deus ordenou, e obviamente ninguém nunca vai merecer o que a Ele ordena, porque "A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos simples." e “todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia”. A obediência não é baseada em mérito próprio, pois esse mérito realmente não existe (salmo 14; 51 e romanos), mas na obrigação de todo homem de obedecer a Deus, pois "teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem." (Eclesiastes 12:13)


Sapatos da Preparação do Evangelho da Paz

No império romano, os inimigos costumavam por obstáculos no chão para fazer os soldados caírem e assim serem derrotados. O evangelho vai nos pés pois ele é a nossa base, a base de toda a armadura, guia nossos passos e nos mantém de pé. O evangelho é a boa noticia, a novidade, de salvação, que se dá, de forma resumida, nos seguintes pontos:

  • O ser humano viveu no paraíso, que era o lugar onde a presença de Deus estava presente de forma plena. Ele escolheu ir contra Deus e com isso foi expulso da sua presença e incapaz de retornar, assim nasceu o pecado. Todos os que nasceram após isso nasceram com natureza de pecado. Todos pecamos e estamos destituídos da glória de Deus. Nossa natureza é incapaz de fazer o bem a não ser por intermédio da graça operando em nós, de modo que tudo o que fazemos por nós mesmos é ruim e nossa justiça é como trapo de imundice. (Couraça)
  • Por Deus ser a justiça, todo o mal do ser humano exige uma punição proporcional. O ser humano é incapaz de não fazer o mal, então estava fadado a condenação. Deus, por misericórdia, enviou Cristo, que foi perfeito em tudo, para sofrer a nossa condenação em nosso lugar e dar a oportunidade de nos religarmos a Deus. (Couraça)
  • Por meio da fé, que não é uma ação nossa, mas um dom de Deus, somos justificados. (Escudo)
  • Por essa justificação somos salvos da nossa natureza, pois recebemos o Espírito que nos dá uma nova. E esse Espírito nos vivificará após nossa morte, e nos tornará imortais para vivermos em alegria eterna. (Capacete)
  • Após salvos, o Espírito que passou a habitar em nós nos dá o entendimento da palavra e a capacidade de aplica-la de forma prática em nossa vida. (Espada)

Todas as peças da armadura são partes especificas, isoladas, do que é o fundamento dela, o evangelho. Cada uma tem a função de proteger uma parte específica do crente para o manter dentro da base. Por isso é necessário usar a armadura completa, pois, faltando um pedaço dela, não somos cristãos. Todo raciocínio deve ser construído sobre a base do evangelho, não de outra coisa se não ele ou de um evangelho que seja falso em algum ponto. Algo que não seja construído nessa base, cedo ou tarde trará frutos ruins. Para estar firme para resistir ao dia mal é fundamental estar construído sobre a rocha. Devemos estar sempre prontos com a boa notícia de que hoje o ser humano pode ter paz com Deus, essa é a preparação do evangelho da paz. 


O Escudo da Fé

O escudo é a parte mais importante da armadura, pois o texto diz "embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno." Cada parte da armadura serve para impedir um ataque localizado ao um ponto específico, porém, com o escudo pode-se apagar a todos. E sem o escudo, não se poderia apagar nenhum, pois, sem a fé é impossível permanecer em Deus e com isso seriamos do inimigo. Então, de todas as peças, essa certamente é a principal. 
A função do escudo é proteger todo o corpo, em todas as direções, e é isso que a fé faz conosco, nos mantém em segurança. Mas é necessário esclarecer o que é essa fé. Não é simplesmente uma crença, fé "é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem." (Hebreus 11:1). Muitas pessoas dizem ter fé, quantas realmente a tem? O que revela se há fé ou não, não são as coisas que as pessoas dizem, mas a postura como se comportam diante as circunstâncias. Por que ninguém que crê realmente em uma coisa, age de forma oposta do que acredita. É por meio de nossas ações e reações as circunstâncias, que se manifesta no que realmente cremos. "convicção de fatos que não se veem" implica que o que está revelado na Escritura é o que a pessoa crê, não o que as circunstâncias da vida revelam, ou o que aparenta ser. É muito comum ver pessoas com as mentes cheias de crenças que são o oposto do que a Escritura diz, pois se fundamentam no que é popularmente aceito, não realmente nos fatos que não se veem. 

De forma prática, a fé deve se manuseada da mesma forma a qual um escudo o é, sendo direcionado especificamente para a direção de onde o dado inflamado vem. A função do dado inflamado é causar ferimento, e o que a fé faz é impedir ele o atinja. Se a fé é a confiança, o que ela vai combater é insegurança, desconfiança e medo. A confiança é o que capacita o homem para a obediência em tudo o que Deus mandou, pois, ninguém pratica o que não crê (Romanos 1:5; Hebreus 11). Quando você está pronto a obedecer, certamente Satanás enviará um capanga para lançar sementes de descrença tanto nas suas crenças quanto nas suas obras derivadas das crenças, assim como Sambalate e Tobias fizeram com Neemias para o impedir de executar o que Deus o havia ordenado. Devemos crer e fazer apenas o que Deus diz, não no raciocínio de terceiros ou em probabilidades. Basicamente, é assim que se manipula a fé como um escudo, estando firme em tudo o que Deus diz e ignorando todas as sugestões que ponham em prova o que ele diz, pelo motivo que for. É procurar identificar com clareza o que está sendo sugerido, ver como aquilo se relaciona com o que Deus revelou e decidir se prefere dar ouvidos ao raciocínio humano, aos próprios desejos (carne), a Satanás ou a Deus.


O Capacete da Salvação

O capacete tem a função de proteger a cabeça, que é um dos órgãos vitais. Se o inimigo conseguir acertar a cabeça do adversário, seu adversário morre e o inimigo ganha a guerra. Isso significa que a salvação é o que nos mantém vivos, mesmo após a morte física. Ele é necessário para que se possa encarar o adversário de cabeça erguida e seguir em frente sem medo dos ataques. Para que a mente esteja protegida dos ataques, é necessário ter a esperança da salvação. 

Todo ser humano nascido após a queda tem o desejo de algo que o supra interiormente, pois temos saudade da plenitude do Édem, onde nossos pais viveram com Deus, por isso hoje estamos naturalmente vazios. O que nos tirou desse lugar foi o pecado, que é a transgressão da lei. Pois, somente estando unido ao bem pleno, teremos plenitude em nós. Fazer o oposto do que o bem manda é praticar o mal, e qualquer tipo de mal gera o afastamento do bem, de forma que, para se unir novamente, seria preciso jamais ter feito o mal, o que um ser humano não pode fazer. A salvação do homem é ter seus pecados apagados, para poder retornar a esse estado de plenitude interior, de viver no paraíso. É isso que Cristo veio fazer, nos dar a oportunidade de reconciliarmos com Deus.

Todo ser humano tem o instinto de adorar a algo que pensa ser o que o salva. As pessoas carnais buscam sua salvação nas circunstâncias, especialmente naquilo que as falta, se faltar dinheiro, a expectativa de salvação estará no dinheiro, se faltar relacionamento, a expectativa estará no relacionamento e por aí em diante. Pois, como a mente carnal só entende o que é desse mundo, ela tem a expectativa de conseguir viver o paraíso na terra, e se esforça para isso. Se alguém não estiver adorando ao Deus verdadeiro, certamente está adorando a algum deus falso, mas sempre, invariavelmente estará adorando algo que crer que irá trazer o seu bem. O cristão é aquele que deposita sua confiança em Deus e espera sua salvação nEle. Ele crê que seu coração será suprido e plenamente satisfeito quando estiver com Deus de forma plena, e aguarda por esse momento. 

Ter a mente na eternidade desse modo é o que torna alguém capaz de vencer os ataques contra sua mente. Pois satanás tentará o levar a desobediência através de tentações de coisas que supostamente o salvariam, isso é, o devolveriam ao Édem que ele anseia no seu interior. Estar vestido do capacete da salvação é aguardar que essa salvação, esse retorno ao Édem de alegria e satisfação sem fim, venham como Deus prometeu que viriam, por meio da vida ao lado dele, não por nenhum outro meio.

O pecado confundiu a mente do ser humano, trouxe engano e futilidade. A salvação traz ao ser humano a renovação da mente, e essa renovação é o que torna o cristão imune aos ataques de Satanás. Anteriormente, na mesma carta, o apóstolo diz: "E vos renoveis no espírito da vossa mente" (Efésios 4:23.), que faz referência a Romanos 12:1-2: "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito."


A Espada do Espírito, a Palavra

Todas as peças vistas anteriormente tinham a função de defesa, essa é a única que tem a função de ataque. A palavra é a espada, pois é com ela que o inimigo é ferido, como podemos ver na tentação de Jesus no deserto. Ele respondeu a cada tentação citando um versículo que a contradizia. Devemos fazer o mesmo em nossas vidas: acredita apenas no que está revelado e quando vier uma sugestão oposta, a repreender citando as Escrituras. Para isso é necessário ter o domínio dela, lendo-a todos os dias e pedindo por entendimento e capacidade de a usar com sabedoria. 

A espada é do Espírito, isso mostra que quem fere e ataca o inimigo é o Espírito, e ele faz isso através da palavra. Saber isso refuta a ideia popular, de origem medieval, de que o ser humano trava uma briga com os espíritos malignos e que ele tem autoridade para repreender espíritos, sendo que quando o anjo foi batalhar com um espírito maligno ele disse: "Que o Senhor te repreenda", e o espírito saiu imediatamente. Pois, somente o Senhor tem poder de repreender o que é que seja, e quando o Senhor repreende, o mal é obrigado a ir. Muitos, por não compreenderem a soberania de Deus, tem essa mentalidade medieval de que há entre Deus e Satanás uma batalha entre iguais e que cabe ao ser humano fazer ritos para ajudar a Deus vencer essa batalha, o que não poderia ser o mais oposto do que a Escritura ensina. Ao invés de se preocuparem com misticismos fundamentados em tradições humanas, deveriam se preocupar em viver em obediência a Palavra, mesmo quando o que ela ordena é desconfortável por ser contrário as inclinações da carne, essa é a luta realmente eficiente contra os demônios.

Os relatos de exorcismos católicos foram uma das piores coisas que li na minha vida inteira até então, conseguem ser piores do que algumas das palhaçadas e escárnios por falta de conhecimento bíblico e de bom senso que tenho consciência que ocorrem nos meios carismáticos. Pretendo trazer algum artigo sobre o tema em breve. 

O apóstolo encerra o capítulo ensinando que devemos, após ter posto toda a panóplia, permanecer no Senhor com oração e suplicas por todos os santos e pede oração por ele próprio, para que ele possa fazer o que é necessário. Se Paulo dependia da oração dos santos para conseguir fazer o que deveria, quanto mais nós precisamos, orar sempre por nós e pelos outros.

"Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês."
Tiago 4:7
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